Sociedade | 13-07-2026 07:00

Moradores de Castelo do Bode voltam a ficar sem água durante dias e exigem solução definitiva

Moradores de Castelo do Bode voltam a ficar sem água durante dias e exigem solução definitiva
Nestes dias de calor intenso muitos moradores ficaram sem uma gota de água nas torneiras das suas habitações - foto O MIRANTE

Moradores de sete habitações junto à barragem de Castelo do Bode, na freguesia de São Pedro de Tomar, denunciam sucessivas falhas no abastecimento de água, assegurado provisoriamente pela EDP, e acusam câmara municipal e Tejo Ambiente de não resolverem um problema que se arrasta desde 2008.

Sete habitações na localidade de Castelo do Bode, freguesia de São Pedro de Tomar, estiveram mais de 48 horas sem abastecimento de água, entre os dias 22 e 24 de Junho, devido a uma falha técnica na infraestrutura da EDP que continua, de forma provisória, a abastecer aquelas casas. Segundo a moradora Eulália Fernandes, este é apenas o mais recente episódio de uma situação que se arrasta há 18 anos.
“Apesar de estarmos em Portugal, em 2026, existem ainda famílias que ficam sem água e estão dependentes de um fornecimento provisório assegurado pela EDP”, diz a O MIRANTE Eulália Fernandes, de 53 anos. “Sem água não é possível garantir condições mínimas de higiene, preparar refeições, lavar roupa ou assegurar o bem-estar de uma pessoa, especialmente com as ondas de calor que tem ocorrido. E foi exactamente isso que aconteceu durante mais de 48 horas”, relata.
As sete habitações situam-se na Estrada de Castelo do Bode, junto ao complexo habitacional da EDP e, segundo a moradora, a empresa comunicou em 2008 que deixaria de assegurar aquele abastecimento provisório, uma vez que os então Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) de Tomar, que entretanto integraram a empresa intermunicipal Tejo Ambiente, passariam a fornecer água às habitações.
Contudo, “passaram-se 18 anos e nada foi feito”, acrescenta a munícipe que durante o período em que esteve sem água teve de percorrer cerca de dois quilómetros para encher garrafões numa fonte. “Tive de deixar um balde ao lado do autoclismo para conseguir descarregá-lo. Foi a triste realidade que vivemos”, descreve a moradora que comprou a casa com o marido no final do ano passado e mudou-se para o local em Março.
Perante o agravamento da situação, a Junta de Freguesia de São Pedro de Tomar ainda promoveu, no dia 24 de Junho, uma reunião de emergência que juntou moradores, um representante da Câmara de Tomar, o comandante dos bombeiros e o executivo da junta. A Tejo Ambiente, embora convidada, não esteve presente, remetendo apenas uma comunicação escrita onde informou que a solução estaria a ser analisada em conjunto com a câmara municipal e a EDP. Segundo Eulália Fernandes, a informação transmitida na reunião foi de que a EDP garantiu que tem vindo a reparar as sucessivas avarias na sua infraestrutura, mas que a resolução definitiva é complexa devido às características da rede.

Presidente da câmara diz que assunto está em análise
O problema já tinha sido levado à reunião do executivo da Câmara de Tomar por Paulo Jardim, marido de Eulália Fernandes, em representação dos moradores. Na altura, o presidente da câmara, Tiago Carrão, explicou que a EDP está a proceder à ligação das habitações do seu complexo à rede pública e que, nessa altura, desligará a infraestrutura que actualmente assegura o abastecimento provisório às sete habitações.
O autarca aconselhou os moradores a ponderarem a ligação à rede pública, lembrando que a Tejo Ambiente suporta os primeiros 50 metros da extensão da rede, ficando o restante investimento a cargo dos proprietários. Paulo Jardim explicou que o orçamento para efectuar a ligação rondava um valor “incomportável” para muitas das famílias, algumas delas compostas por idosos reformados. “Não acho moralmente aceitável que, ao fim de 18 anos, sejam estas pessoas a suportar dezenas de milhares de euros por algo que devia ter sido resolvido há muito tempo. Peço que vejam dentro das vossas possibilidades o que podem gastar para fazer uma ligação de água. Se dividirem pelos 18 anos em que fizeram vista grossa a este problema não deverá ser muito”, disse, indignado perante o executivo.
Tiago Carrão reconheceu a complexidade da situação mas afirmou desconhecer o alegado compromisso assumido em 2008, comprometendo-se a averiguar essa informação junto da EDP e da Tejo Ambiente. “Temos de encontrar soluções, mas dentro da legalidade”, afirmou o autarca, garantindo que iria procurar perceber de que forma o investimento necessário poderá ser concretizado.
Apesar da reposição do abastecimento e da garantia da câmara de que o assunto está a ser analisado, os moradores continuam apreensivos. “O problema mantém-se. Continuamos dependentes de uma rede provisória, velha e sujeita a rupturas. Basta acontecer outra avaria para voltarmos a ficar sem água”, conclui Eulália Fernandes.

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