Municípios da região convidados a recuperar rios e reforçar resiliência climática
Programa Rios Livres vai receber apoio durante três anos para remover barreiras obsoletas e recuperar a conectividade dos cursos de água portugueses. Municípios interessados são chamados a apresentar parcerias para intervenções nos seus territórios.
O Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente (GEOTA) garantiu financiamento internacional para desenvolver, durante os próximos três anos, acções de restauro ecológico em rios portugueses. O apoio foi aprovado pela Donors Initiative for Mediterranean Freshwater Ecosystems e será aplicado no âmbito do programa Rios Livres. O projecto terá como prioridade a recuperação da conectividade fluvial, através da remoção de açudes, pequenas barragens e outras barreiras sem função económica ou social relevante, mas que continuam a provocar impactos negativos nos ecossistemas. Numa primeira fase, o GEOTA vai selecionar municípios interessados em receber intervenções integradas de reabilitação dos seus rios.
A iniciativa pretende juntar conhecimento científico, participação das comunidades e ação no terreno, contribuindo para melhorar o estado ecológico dos cursos de água, aumentar a resistência dos ecossistemas às alterações climáticas e apoiar a aplicação da Lei do Restauro da Natureza. “Este apoio ajuda-nos a devolver vida aos rios portugueses. Ao reabilitar troços de rios e ao envolver as comunidades, criamos condições para ecossistemas mais saudáveis e resilientes às alterações climáticas”, afirma Ana Catarina Miranda, coordenadora do programa Rios Livres. A responsável sublinha ainda que o projecto pretende aumentar o conhecimento e a participação das populações, deixando um convite directo às autarquias para que se associem ao programa e apresentem propostas de colaboração através do sítio do GEOTA.
Em Portugal existem milhares de barreiras que interrompem a circulação natural da água, dos sedimentos e das espécies. Muitas foram construídas para funções que entretanto deixaram de existir. Estas estruturas podem também alterar os caudais naturais, dificultar a deslocação dos peixes e reduzir a capacidade de autorregulação dos ecossistemas. Em períodos de seca ou de cheia, rios fragmentados e degradados apresentam menor capacidade de resposta, tornando os territórios mais vulneráveis aos efeitos das alterações climáticas. O programa Rios Livres tem desenvolvido ações de recuperação de ecossistemas ribeirinhos, com especial incidência na remoção de barreiras obsoletas e no restabelecimento da continuidade dos rios.


