Sociedade | 15-07-2026 10:57

Câmara do Entroncamento vai ter segurança após ameaças de morte a funcionária

Câmara do Entroncamento vai ter segurança após ameaças de morte a funcionária

Nelson Cunha quer reforçar a segurança dos Paços do Concelho depois dos protestos relacionados com ocupações ilegais de habitações municipais. Autarquia prepara ainda uma zona de espera para acabar com munícipes sentados nas escadas enquanto aguardam atendimento.

A Câmara Municipal do Entroncamento vai colocar um segurança à entrada dos Paços do Concelho para prevenir novos episódios de violência e controlar o acesso ao edifício. A decisão surge na sequência dos desacatos ocorridos a 16 de Junho, quando uma comunidade protestou contra os cortes de água e electricidade em habitações municipais ocupadas irregularmente. O presidente da câmara, Nelson Cunha, anunciou na reunião do executivo de 7 de Julho que o município está a recolher orçamentos para contratar o serviço de segurança e criar uma zona de espera para os munícipes. “Vamos ter logo à entrada da câmara municipal um segurança, que poderá também ajudar a encaminhar as pessoas para os serviços certos, consoante aquilo que pretendem”, explicou o autarca.
Nelson Cunha reconheceu ainda que o edifício não possui condições adequadas para quem aguarda atendimento, estando prevista a instalação de bancos. “Uma coisa tão básica como uma zona de espera não existe. Há pessoas que acabam por se sentar nas escadas”, afirmou, sublinhando que as medidas pretendem evitar a repetição de situações que “não agradam a ninguém”. Durante a discussão, o vereador Valter Bouça (CDS-PP) criticou a ausência de uma comunicação institucional mais estruturada após os desacatos. Considerou que a falta de uma posição oficial da autarquia permitiu a circulação de versões contraditórias e contribuiu para criar “instabilidade” em torno do caso.
Rui Madeira (PSD) defendeu mesmo a realização de uma averiguação interna para esclarecer o que aconteceu no interior dos Paços do Concelho. O vereador referiu que têm circulado versões diferentes quanto ao número de pessoas envolvidas e à gravidade dos acontecimentos, considerando fundamental “dar conhecimento do que efectivamente se passou”. Nelson Cunha respondeu que a investigação compete à PSP, confirmando que foi apresentada participação e que as pessoas envolvidas e as testemunhas já prestaram declarações. “Quem vai fazer a investigação é a PSP. Da nossa parte, cabe colmatar o risco e, por isso, queremos ter um segurança logo à entrada para prevenir problemas ou episódios violentos como aquele que verificámos”, afirmou. O presidente justificou ainda a opção de não divulgar um comunicado oficial com a intenção de evitar alimentar o alarme social em torno da situação.
Funcionária recebeu ameaças de morte
Tal como O MIRANTE noticiou, a tensão relacionada com as ocupações irregulares de habitações municipais voltou a subir no Entroncamento depois de a autarquia ter ordenado cortes de água e electricidade em imóveis ocupados sem autorização. No dia 16 de Junho, um grupo de pessoas deslocou-se aos Paços do Concelho para contestar as medidas, provocando perturbações no edifício municipal. Durante os desacatos foram dirigidas ameaças de morte a uma funcionária da câmara que se encontrava ao serviço. A PSP foi chamada ao local, mas, quando os agentes chegaram, as pessoas envolvidas já tinham abandonado o edifício, segundo apurou O MIRANTE na altura.

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