Sociedade | 15-07-2026 07:00

Obras na Ponte Marechal Carmona levam autarcas a defender alternativas sem portagens

Obras na Ponte Marechal Carmona levam autarcas a defender alternativas sem portagens

A intervenção na Ponte Marechal Carmona, em Vila Franca de Xira, tem um prazo de execução de três anos e deverá ser feita de forma faseada. Mas há receios de fortes constrangimentos nas horas de ponta e de impacto na circulação entre as duas margens do Tejo. Autarcas defendem criação de alternativa pela Ponte das Lezírias sem portagens.

As obras de reabilitação da Ponte Marechal Carmona, que liga Vila Franca de Xira ao concelho de Benavente, estão a gerar preocupação nas duas margens do Tejo, com os dois municípios a defenderem soluções que permitam aliviar o trânsito caso a empreitada venha a provocar constrangimentos significativos.
O presidente da Câmara de Vila Franca de Xira, Fernando Paulo Ferreira (PS), defendeu que a empresa pública Infraestruturas de Portugal (IP) deve assegurar o acesso gratuito à Ponte das Lezírias, no Carregado, se os trabalhos na Ponte Marechal Carmona originarem dificuldades acrescidas de circulação, sobretudo nas horas de ponta.
Do outro lado do Tejo, a Câmara de Benavente anunciou ter solicitado ao Governo a isenção temporária de portagens nas auto-estradas A1, A10 e A13, de forma a permitir que a Ponte das Lezírias, entre o Carregado e Benavente, possa ser usada como alternativa sem custos acrescidos.
A presidente da Câmara de Benavente, Sónia Ferreira (PSD), afirmou que o pedido foi formalizado há duas semanas, depois de a IP ter anunciado a intervenção na ponte. Para a autarca, o concelho prepara-se para enfrentar “quase três anos de limitações” e “estrangulamentos diários insustentáveis” numa travessia essencial para a circulação de pessoas e mercadorias entre as duas margens.
Além da isenção total de portagens nos troços usados por quem recorra à Ponte das Lezírias como alternativa, o município admite, em alternativa, a suspensão da cobrança nos períodos de ponta, entre as 07h00 e as 10h00 e entre as 16h30 e as 19h30. A medida, defende a Câmara de Benavente, deve entrar em vigor “no exacto momento” em que se verifiquem os primeiros constrangimentos significativos no terreno.
A IP já tinha indicado que os trabalhos serão executados de forma faseada, procurando reduzir o impacto no trânsito, embora possam ocorrer condicionamentos temporários e reduções pontuais do número de vias disponíveis. A empreitada, adjudicada à Teixeira Duarte, representa um investimento de 22 milhões de euros e tem como objectivo a reabilitação geral da Ponte Marechal Carmona, incluindo o tabuleiro rodoviário, bem como o reforço da segurança estrutural da travessia à acção sísmica. A ponte, inaugurada em 1951, é uma das principais ligações rodoviárias da região.

PS de Benavente acusa executivo de transformar tema em jogo político

O tema chegou também à discussão política em Benavente. A bancada do PS na assembleia municipal acusou o executivo camarário de falta de transparência e de tentar transformar a proposta de isenção de portagens num “jogo político”. E revelou que entregou, no dia 26 de Junho, uma recomendação para que o município solicitasse às entidades competentes a isenção temporária de portagens para os munícipes afectados pelos constrangimentos das obras. A proposta estava destinada a ser discutida na assembleia municipal de 29 de Junho, mas, antes da sessão, a câmara anunciou publicamente que já tinha avançado com o pedido. O que esvaziou a iniciativa política dos socialistas.
Os socialistas dizem saudar a decisão, por a considerarem “justa” e “necessária”, mas questionam a mudança de posição do executivo. O PS sustenta que, numa reunião pública de câmara realizada em 15 de Junho, foi transmitido a uma munícipe que uma solicitação desta natureza não fazia sentido, com o argumento de que existiam obras em vários pontos do país e que, nesse caso, teriam de ser aplicadas isenções em todo o território. De acordo com o PS, durante a assembleia municipal, PSD, CDS e CHEGA solicitaram a retirada da recomendação apresentada pelos socialistas, o que o grupo municipal recusou. A proposta acabou por ser chumbada, contando apenas com os votos favoráveis do PS e da CDU.

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