Sociedade | 15-07-2026 12:00

Sabacheira reclama soluções para problemas que se arrastam há anos

Sabacheira reclama soluções para problemas que se arrastam há anos
Tiago Carrão, presidente da Câmara de Tomar, escutou queixas da população - foto O MIRANTE

Munícipes levaram à reunião de câmara de Tomar preocupações antigas e problemas urgentes, do médico que falta ao abastecimento de água que falha, passando pela estação ferroviária de Fátima e pelos danos provocados pela tempestade Kristin.

Os problemas da freguesia da Sabacheira voltaram a estar em cima da mesa na reunião do executivo municipal de Tomar, descentralizada, com vários munícipes a pedirem explicações ao presidente da câmara, Tiago Carrão, sobre áreas tão diversas como o acesso a cuidados de saúde, a falta de qualidade do abastecimento de água, o atraso no saneamento, as ligações ferroviárias e os prejuízos provocados pela tempestade Kristin. Uma das primeiras intervenções foi feita por Frederico Alves, que questionou o ponto de situação da futura zona industrial de Vale dos Ovos, afirmando que a população “já está um pouco descrente de tantas promessas” feitas ao longo dos últimos anos. Tiago Carrão respondeu que o município alterou a estratégia para tentar acelerar o processo, abandonando a elaboração de um plano de pormenor para os 38 hectares inicialmente previstos. A câmara já contratou uma empresa para preparar a alteração simplificada ao Plano Director Municipal, estando o processo dependente de parecer favorável da CCDR e da delimitação de uma ou mais unidades de execução.
Na área da saúde, Ana Cristina Subtil manifestou preocupação com o funcionamento do pólo de saúde da Sabacheira, onde existe apenas um médico a tempo parcial. A munícipe afirmou que os utentes continuam a enfrentar grandes dificuldades para conseguir consultas. “Estamos no último dia de Junho e, se eu quiser marcar uma consulta, só consigo para Setembro”, disse, apelando à intervenção do município junto das entidades competentes para reforçar os recursos humanos. Tiago Carrão reconheceu que a situação é preocupante e garantiu que o município tem mantido contactos com a Unidade Local de Saúde para procurar soluções. O presidente da câmara admitiu, contudo, que a eventual aposentação da médica que presta serviço a tempo parcial na Sabacheira poderá agravar o problema, deixando a população sem médico. A mesma munícipe chamou ainda a atenção para a falta de paragem dos comboios Intercidades com destino ao Porto na estação de Fátima/Chão de Maçãs, considerando que o concelho está a desperdiçar uma oportunidade de mobilidade e desenvolvimento. Tiago Carrão concordou com a preocupação, classificando como um “subaproveitamento” o potencial daquela estação, e defendeu que o tema volte à assembleia municipal para reforçar a reivindicação junto do Governo.
O abastecimento de água foi outro dos temas centrais da reunião. Maria Cristina Pinheiro lembrou que os problemas se arrastam há muitos anos e continuam sem solução, alertando para as falhas frequentes no abastecimento durante o Verão, para as constantes roturas na rede e para os atrasos na execução do saneamento, factores que considera prejudiciais à fixação de população. Tiago Carrão afirmou que a renovação da rede de abastecimento de água da Sabacheira é uma prioridade do município, classificando a situação como uma das mais graves do país. Segundo o autarca, a rede tem cerca de 250 quilómetros e perdas de água que chegam aos 94%, sendo necessário um investimento na ordem dos 20 milhões de euros.
A tempestade Kristin também foi levada à reunião por Maria Lurdes Lopes, que alertou para os estragos no açude da Ribeira da Sabacheira e para a destruição da calha de regadio, situação que agravou a erosão junto à sua propriedade. A munícipe defendeu ainda a limpeza da ribeira e a recuperação das antigas linhas de água, referindo que, “desde a ponte do Extremadouro até ao Agroal, o entulho do rio é muito”. Tiago Carrão reconheceu a dimensão dos estragos observados durante a visita realizada ao local. O autarca explicou que a primeira fase passará pela limpeza do leito da ribeira e remoção de material lenhoso, para depois se avaliar com maior rigor a extensão dos danos.

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