Sabacheira reclama soluções para problemas que se arrastam há anos
Munícipes levaram à reunião de câmara de Tomar preocupações antigas e problemas urgentes, do médico que falta ao abastecimento de água que falha, passando pela estação ferroviária de Fátima e pelos danos provocados pela tempestade Kristin.
Os problemas da freguesia da Sabacheira voltaram a estar em cima da mesa na reunião do executivo municipal de Tomar, descentralizada, com vários munícipes a pedirem explicações ao presidente da câmara, Tiago Carrão, sobre áreas tão diversas como o acesso a cuidados de saúde, a falta de qualidade do abastecimento de água, o atraso no saneamento, as ligações ferroviárias e os prejuízos provocados pela tempestade Kristin. Uma das primeiras intervenções foi feita por Frederico Alves, que questionou o ponto de situação da futura zona industrial de Vale dos Ovos, afirmando que a população “já está um pouco descrente de tantas promessas” feitas ao longo dos últimos anos. Tiago Carrão respondeu que o município alterou a estratégia para tentar acelerar o processo, abandonando a elaboração de um plano de pormenor para os 38 hectares inicialmente previstos. A câmara já contratou uma empresa para preparar a alteração simplificada ao Plano Director Municipal, estando o processo dependente de parecer favorável da CCDR e da delimitação de uma ou mais unidades de execução.
Na área da saúde, Ana Cristina Subtil manifestou preocupação com o funcionamento do pólo de saúde da Sabacheira, onde existe apenas um médico a tempo parcial. A munícipe afirmou que os utentes continuam a enfrentar grandes dificuldades para conseguir consultas. “Estamos no último dia de Junho e, se eu quiser marcar uma consulta, só consigo para Setembro”, disse, apelando à intervenção do município junto das entidades competentes para reforçar os recursos humanos. Tiago Carrão reconheceu que a situação é preocupante e garantiu que o município tem mantido contactos com a Unidade Local de Saúde para procurar soluções. O presidente da câmara admitiu, contudo, que a eventual aposentação da médica que presta serviço a tempo parcial na Sabacheira poderá agravar o problema, deixando a população sem médico. A mesma munícipe chamou ainda a atenção para a falta de paragem dos comboios Intercidades com destino ao Porto na estação de Fátima/Chão de Maçãs, considerando que o concelho está a desperdiçar uma oportunidade de mobilidade e desenvolvimento. Tiago Carrão concordou com a preocupação, classificando como um “subaproveitamento” o potencial daquela estação, e defendeu que o tema volte à assembleia municipal para reforçar a reivindicação junto do Governo.
O abastecimento de água foi outro dos temas centrais da reunião. Maria Cristina Pinheiro lembrou que os problemas se arrastam há muitos anos e continuam sem solução, alertando para as falhas frequentes no abastecimento durante o Verão, para as constantes roturas na rede e para os atrasos na execução do saneamento, factores que considera prejudiciais à fixação de população. Tiago Carrão afirmou que a renovação da rede de abastecimento de água da Sabacheira é uma prioridade do município, classificando a situação como uma das mais graves do país. Segundo o autarca, a rede tem cerca de 250 quilómetros e perdas de água que chegam aos 94%, sendo necessário um investimento na ordem dos 20 milhões de euros.
A tempestade Kristin também foi levada à reunião por Maria Lurdes Lopes, que alertou para os estragos no açude da Ribeira da Sabacheira e para a destruição da calha de regadio, situação que agravou a erosão junto à sua propriedade. A munícipe defendeu ainda a limpeza da ribeira e a recuperação das antigas linhas de água, referindo que, “desde a ponte do Extremadouro até ao Agroal, o entulho do rio é muito”. Tiago Carrão reconheceu a dimensão dos estragos observados durante a visita realizada ao local. O autarca explicou que a primeira fase passará pela limpeza do leito da ribeira e remoção de material lenhoso, para depois se avaliar com maior rigor a extensão dos danos.


