Sociedade | 16-07-2026 12:59

Portugal esgota margem de área ardida até 2030 e Ribatejo acumula risco na floresta

Portugal esgota margem de área ardida até 2030 e Ribatejo acumula risco na floresta

País consumiu 98% do limite de área ardida definido para a década. No Ribatejo, onde o eucalipto ocupa mais de metade da floresta, abandono, caminhos bloqueados e combustível acumulado agravam o risco de grandes incêndios.

Portugal chegou a meio da década com praticamente toda a margem de área ardida prevista até 2030 já consumida. A associação ambientalista ZERO alerta que o país queimou cerca de 98% do limite estabelecido para o período 2020-2030, conclusão retirada da avaliação ao relatório de actividades de 2025 do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais. O aviso surge em plena fase mais crítica do dispositivo de combate. Em 2025 registaram-se 8.252 incêndios rurais, mais 32% do que no ano anterior, e arderam cerca de 271 mil hectares, praticamente o dobro de 2024. Os 44 grandes incêndios, apesar de representarem menos de meio por cento das ocorrências, foram responsáveis por 91% de toda a área ardida. Poucos fogos, alimentados por condições meteorológicas extremas e paisagens contínuas de combustível, bastaram para transformar um ano difícil numa catástrofe nacional.
A realidade encontra muita visibilidade na região ribatejana. O MIRANTE tem noticiado em várias edições as dificuldades que existem na gestão florestal da região, nomeadamente devido à sua eucaliptização. A floresta ribatejana ocupa cerca de 432 mil hectares nos 25 concelhos da área de abrangência de O MIRANTE e aproximadamente 230 mil hectares, mais de 53%, são de eucalipto. Só no distrito de Santarém a espécie ocupa mais de 208 mil hectares. Rio Maior aproxima-se dos 85% de eucaliptal na área florestal, enquanto Abrantes e Chamusca concentram as maiores extensões absolutas, com cerca de 31.700 e 27.700 hectares, respectivamente.
Nos últimos meses, autarcas e responsáveis da Protecção Civil alertaram para caminhos bloqueados, árvores caídas, faixas por executar e grandes volumes de combustível acumulado. Em Ourém foram apontados cerca de 600 quilómetros de caminhos por desobstruir. No Médio Tejo, as tempestades agravaram um cenário marcado pelo abandono, fragmentação da propriedade e falta de mão-de-obra.
A ZERO sublinha que o Programa Nacional de Acção apresenta uma execução de apenas 53% e que 21% das medidas continuam por iniciar. O fogo controlado, uma das ferramentas mais eficazes e baratas de prevenção, ficou abaixo de metade da meta anual. Portugal continua a gastar milhões no combate enquanto adia a transformação da floresta, sublinha.

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