Condições sufocantes obrigaram a fechar unidade de saúde de Alverca do Ribatejo
Problema já tinha sido alvo de queixas de utentes e profissionais a O MIRANTE e com a vaga de calor o problema agravou-se e quem lá trabalhava viu-se obrigado a fechar portas. Comissão de utentes critica a situação.
Devido às temperaturas extremas registadas na semana passada e a inexistência de um sistema de climatização capaz de arrefecer as instalações, a Unidade de Saúde Familiar (USF) Gago Coutinho, de Alverca, encerrou temporariamente para assegurar a segurança e o bem-estar dos profissionais e utentes. A mensagem constava num aviso colocado à porta da unidade de saúde, assinada pela coordenação da USF, dizendo que aguardava a reparação do sistema para “retomar a normalidade de funcionamento o mais brevemente possível”. A situação recebeu críticas das comissões de utentes do concelho de Vila Franca de Xira, que manifestaram, no dia 9 de Julho, o “repúdio e preocupação” com o encerramento das instalações, geridas pela Unidade Local de Saúde (ULS) do Estuário do Tejo, liderada por Nuno Cardoso.
Em carta aberta dirigida ao presidente da Câmara de Vila Franca de Xira, ao conselho de administração da Unidade Local de Saúde e à coordenação da USF Gago Coutinho, os utentes consideram que o encerramento da unidade ocorre “numa altura de temperaturas extremas” e afecta uma população que necessita de cuidados de saúde de proximidade. Segundo o documento, a avaria do sistema de climatização tornou “insuportável a permanência no edifício”, impedindo os profissionais de saúde de exercerem funções em condições de segurança e colocando em risco a saúde dos utentes, entre os quais idosos, crianças e pessoas com doenças crónicas.
As comissões de utentes classificam a situação como incompreensível e sustentam que a falta de manutenção das instalações não pode impedir o acesso aos cuidados de saúde primários, considerando que o problema representa não apenas uma falha técnica mas também falta de respeito pelos utentes. No texto, é recordado que a responsabilidade pela manutenção e conservação dos edifícios dos centros de saúde do concelho passou em 2024 para a Câmara de Vila Franca de Xira, no âmbito do processo de descentralização de competências. E defende-se que tanto a ULS Estuário do Tejo como a coordenação da USF Gago Coutinho devem exigir, “com a máxima urgência e firmeza institucional”, as condições necessárias para garantir o funcionamento da unidade, que retomou o seu funcionamento normal esta semana.
Autarquia diz que herdou sistema AVAC com problemas
A O MIRANTE a Câmara de VFX já tinha explicado que o sistema de aquecimento, ventilação e ar condicionado do Centro de Saúde de Alverca do Ribatejo já apresentava significativas limitações no seu funcionamento aquando da transferência do edifício para a responsabilidade municipal. “Desde esse momento os serviços municipais têm desenvolvido todos os esforços para garantir o seu funcionamento regular de forma a garantir as condições para a adequada prestação dos cuidados de saúde e conforto dos utentes e profissionais”, explicava autarquia.
A empresa da especialidade contratada, que assegura a manutenção do equipamento, foi oportunamente instada para intervir com urgência na verificação e regularização da situação. “Releva mencionar que o envelhecimento e desgaste natural dos equipamentos instalados condiciona, de forma relevante, a viabilidade e normal funcionamento”, explicava a câmara, lembrando que a substituição integral dos sistemas de AVAC, que pode vir a verificar-se como necessária, não faz parte das responsabilidades assumidas pelo município no âmbito da descentralização.
ULS prefere chamar reorganização em vez de fecho
A Unidade Local de Saúde (ULS) Estuário do Tejo já veio esclarecer que a USF Gago Coutinho “não se encontra encerrada”, mas sim alvo de uma “reorganização temporária da actividade assistencial devido ao período de temperaturas elevadas” e a constrangimentos no sistema de climatização de algumas áreas do Centro de Saúde de Alverca.
Segundo a ULS, foram adoptadas medidas de contingência para assegurar a continuidade dos cuidados de saúde aos utentes. Já as consultas médicas programadas e de doença aguda realizadas pelos profissionais da USF Gago Coutinho foram transferidas para gabinetes disponibilizados no Hospital Vila Franca de Xira entre terça e quinta-feira, tendo sido igualmente mantida a actividade domiciliária médica. A ULS sublinhou ainda que as medidas adoptadas tiveram um carácter preventivo, visando salvaguardar a segurança de utentes e profissionais e minimizar o impacto das condições ambientais verificadas.


