Sociedade | 18-07-2026 12:00

Entroncamento cerra fileiras com Torres Novas contra unidade de biometano em Árgea

central biometano ilustrativ
foto ilustrativa

Contestação à instalação da unidade de produção de biometano prevista para Árgea deixou de ser apenas uma preocupação das populações de Torres Novas e passou formalmente para a agenda política do Entroncamento.

A Assembleia Municipal do Entroncamento aprovou por unanimidade uma moção de oposição à instalação da unidade de produção de biometano prevista para Árgea, no concelho de Torres Novas. O documento, apresentado pela bancada do Chega na sessão de 30 de Junho, manifesta “total e veemente oposição” à localização da central, alertando para potenciais impactos na saúde pública, na qualidade do ar e no bem-estar da população entroncamentense. A posição surgiu no mesmo dia em que a Assembleia Municipal de Torres Novas aprovou também três moções contra a localização da unidade, num sinal claro de que a contestação ao projecto ultrapassou a esfera local e passou a envolver o território envolvente. Como O MIRANTE tem noticiado, a unidade projectada para a zona de Árgea, na União de Freguesias de Olaia e Paço, prevê ocupar cerca de 4,8 hectares e receber perto de 100 mil toneladas de resíduos biodegradáveis por ano, o equivalente a cerca de 268 toneladas por dia.
A dimensão do projecto, a proximidade a habitações e os impactos esperados no tráfego, nos odores, no ruído, nos solos, nas linhas de água e na qualidade de vida das populações têm estado no centro da contestação. Em Junho, cerca de 150 pessoas participaram numa reunião pública em Árgea, onde moradores de várias localidades, incluindo do Entroncamento e de Vila Nova da Barquinha, defenderam que a questão não se resume à rejeição ao biometano, mas à instalação de uma unidade desta natureza junto de zonas habitacionais e de actividade humana.
No Entroncamento, a moção agora aprovada sustenta que os ventos dominantes poderão transportar emissões gasosas, como sulfureto de hidrogénio e amoníaco, em direcção ao concelho, aumentando as preocupações com eventuais efeitos sobre a qualidade do ar. O documento alerta ainda para o aumento previsto da circulação de veículos pesados, para a poluição sonora, o desgaste das vias rodoviárias e a eventual desvalorização do património imobiliário nas zonas mais próximas. A assembleia municipal deliberou solicitar à Agência Portuguesa do Ambiente a emissão de uma Declaração de Impacte Ambiental desfavorável e remeter a moção ao Ministério do Ambiente, à Agência Portuguesa do Ambiente, à Câmara e Assembleia Municipais de Torres Novas, à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional e aos órgãos de comunicação social.
A empresa promotora, Gás da Terra, já tinha defendido publicamente o projecto e manifestado disponibilidade para analisar contributos recolhidos durante a consulta pública, embora ressalvando que alterações de fundo teriam de ser avaliadas nos planos técnico, ambiental, económico e jurídico. O presidente da Câmara do Entroncamento, Nelson Cunha, reafirmou na assembleia municipal que a posição do município “é completamente contra” a instalação da unidade naquele local. O autarca adiantou ainda que o tema será discutido na próxima reunião da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, salientando que a posição dos 13 presidentes de câmara da região tem sido unânime.

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