PAN questiona abate de 623 pombos em Coruche e exige esclarecimentos
O pedido apresentado pelo partido Pessoas-Animais-Natureza foi encaminhado para o serviço veterinário municipal, tendo o presidente da Câmara de Coruche garantido que o procedimento adoptado respeitou a legislação.
O partido PAN - Pessoas-Animais-Natureza pediu esclarecimentos urgentes à Câmara de Coruche sobre a captura e posterior abate de mais de 600 pombos no concelho, questionando o fundamento legal da decisão e a ausência de métodos alternativos. A posição foi divulgada pelo PAN a 7 de Julho, depois de O MIRANTE ter noticiado que, nos últimos três meses, tinham sido capturados e abatidos 623 pombos no centro histórico de Coruche, uma média superior a 200 aves por mês.
O PAN pretende saber que enquadramento legal permitiu a operação e por que razão não foram adoptadas soluções que considera “éticas e eficazes”, como os pombais contraceptivos, que afirma serem já utilizados em vários municípios portugueses e europeus. “Quando existem alternativas, matar não pode ser a resposta”, defende o partido, acrescentando que governar deve passar por encontrar soluções “inteligentes, proporcionais e respeitadoras da vida”, em vez de eliminar aquilo que causa incómodo.
Na reunião do executivo municipal realizada a 8 de Julho, o presidente da câmara, Nuno Azevedo (PS), confirmou a recepção do pedido de esclarecimentos e informou que o documento tinha sido encaminhado para o serviço veterinário. O autarca assegurou ainda que o processo de captura e abate dos animais decorreu dentro da legalidade.
A operação tem sido desenvolvida por uma empresa sobretudo no centro histórico, onde a presença das aves tem provocado queixas entre os habitantes relacionadas com danos em algerozes, telhados e outros equipamentos das habitações. Depois de capturados, os pombos são congelados e posteriormente incinerados, de acordo com o procedimento referido pelo município.
A câmara pediu também a colaboração dos proprietários dos edifícios para permitir a instalação de armadilhas nos pontos considerados mais eficazes pela empresa responsável. A 23 de Junho foram colocadas mais duas armadilhas para reforçar as capturas. Nuno Azevedo já tinha reconhecido que a população de pombos não será eliminada, mas poderá ser controlada através de uma intervenção continuada. O problema, inicialmente associado ao centro histórico, estende-se também a zonas como o Bairro Novo e a Urbanização das Baleias.


