Sociedade | 18-07-2026 10:00

Turismo de luxo na Albufeira de Castelo de Bode levanta preocupações

Turismo de luxo na Albufeira de Castelo de Bode levanta preocupações
Empreendimento contempla 193 propriedades junto à albufeira de Castelo de Bode - Foto ilustrativa

Empreendimento previsto para a zona da Serra de Tomar inclui hotéis, habitações, marina e serviços. Chega questiona impactos para a população e para o território, mas presidente da câmara garante que há estudos e que o projecto tem enquadramento legal.

A possibilidade de construção de um projecto turístico-habitacional de luxo na margem da Albufeira de Castelo de Bode, na freguesia da Serra de Tomar, está a gerar preocupação política e ambiental. O tema foi levantado na última Assembleia Municipal de Tomar pelo deputado Nuno Ribeiro, eleito pelo Chega, depois de uma reportagem da SIC ter revelado detalhes do empreendimento que está a ser promovido para aquela zona do concelho. Segundo os elementos divulgados, o projecto poderá nascer nas proximidades da aldeia de Vila Nova e prevê a construção de dois hotéis, mais de 80 habitações em banda, uma área de serviços, uma escola, uma marina com mais de 50 lugares e ainda uma estação de tratamento de águas residuais, que deverá ser construída pela Câmara Municipal de Tomar.
Nuno Ribeiro manifestou preocupação com os impactos que uma intervenção desta dimensão poderá ter para a população da freguesia da Serra e para o equilíbrio da zona envolvente à albufeira. O deputado do Chega questionou ainda a localização escolhida e o facto de, segundo afirmou, não ser conhecido um estudo aprofundado sobre a área onde o empreendimento poderá vir a ser desenvolvido. O autarca de Tomar, Tiago Carrão, respondeu que o projecto tem por base um plano de pormenor da área turística aprovado em 2011, sublinhando que qualquer intervenção naquele território terá de respeitar rigorosamente o que está previsto nesse instrumento de planeamento. O presidente da câmara acrescentou que foram realizadas avaliações de impacto ambiental e que a informação se encontra disponível no site do município.
Tiago Carrão reconheceu que o projecto tem potencial económico e pode representar uma oportunidade interessante para o concelho, desde que cumpra todas as exigências legais, ambientais e urbanísticas. O autarca vincou que a autarquia acompanhará o processo dentro das suas competências, garantindo o cumprimento das regras aplicáveis a uma zona sensível como a Albufeira de Castelo de Bode.

Quercus contesta avanço sem avaliação ambiental
A associação ambientalista Quercus classificou como “escandaloso” o avanço do projecto turístico de luxo, considerando que o empreendimento deveria estar sujeito a Avaliação de Impacte Ambiental (AIA). Em comunicado, a Quercus manifesta “muita apreensão” com a autorização para o desenvolvimento do projecto “Amara Village”, um aldeamento turístico de luxo previsto para uma área de 50 hectares nas margens da Albufeira de Castelo de Bode, a segunda maior reserva de água do país e responsável pelo abastecimento de cerca de três milhões de pessoas na Grande Lisboa. Segundo a associação, o empreendimento contempla 193 propriedades, entre apartamentos e moradias, bem como várias infraestruturas de apoio, incluindo uma estação de tratamento de águas residuais (ETAR), acessos viários e um cais para embarcações.
A Quercus sustenta que a legislação obriga à realização de uma AIA para aldeamentos turísticos com área igual ou superior a 10 hectares, pelo que considera incompreensível que o projecto avance sem esse procedimento, tratando-se de uma intervenção prevista para uma área cinco vezes superior ao limiar legal. A associação refere que a Câmara Municipal de Tomar tem fundamentado o processo no Plano de Pormenor da Área Turística de Vila Nova-Serra, aprovado em 2011, mas considera que esse instrumento de planeamento “não invalida a realização da AIA”, face aos potenciais impactes nos recursos hídricos e nos ecossistemas da albufeira.
A Câmara Municipal de Tomar afirmou que ainda não tem em licenciamento qualquer projecto turístico designado “Amara Village”, esclarecendo que o único acto administrativo para a área foi até agora um alvará de loteamento e obras de urbanização.

Mais Notícias

    A carregar...
    Logo: Mirante TV
    mais vídeos
    mais fotogalerias

    Edição Semanal