Entre a cidade e os passadiços de Alverca: as ciclopatrulhas da PSP dão ao pedal pela segurança
No Dia da PSP, O MIRANTE acompanhou a ciclopatrulha de Alverca que percorre o concelho a pedalar e acede a locais onde os automóveis habitualmente não conseguem entrar, como os caminhos ribeirinhos. E há sempre alguma coisa a acontecer.
Fábio Lopes e Rui Pascoal, agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP) de Alverca, percorrem diariamente 30 quilómetros de bicicleta, em média, para garantir um policiamento de proximidade na cidade, em locais onde os carros não chegam. Trilhos ribeirinhos, passadiços, parques urbanos ou ruas estreitas da cidade são percorridos diariamente por centenas de pessoas que caminham, correm, passeiam o cão ou utilizam a bicicleta e é nesses espaços que entram em acção as ciclopatrulhas da PSP de Alverca. Uma resposta de proximidade que, no âmbito do Dia da PSP, assinalado a 2 de Julho, O MIRANTE foi conhecer no terreno.
Os agentes Fábio Lopes e Rui Pascoal são dois dos elementos da equipa especializada que anda montada em bicicletas eléctricas oferecidas pela Câmara de Vila Franca de Xira. Têm 28 e 20 anos e vivem em Alenquer e Alverca. Para ambos, trabalhar numa área que conhecem bem representa também uma motivação adicional. “Gostamos de vestir a farda pelos valores que nos passaram em crianças. Revemo-nos neste serviço ao próximo”, respondem quando questionados sobre a escolha da carreira.
A simples presença dos agentes nos passadiços tem vindo a alterar comportamentos. No início apanharam algumas pessoas a consumir estupefacientes nos passadiços, escudados pelos acessos e por serem estruturas mais escondidas. “Desde que começámos a aparecer, há meses que não encontramos lá ninguém”, explicam. Mas o trabalho vai muito além da prevenção criminal. As ciclopatrulhas prestam auxílio a quem necessita, respondem a pequenas ocorrências e também fiscalizam comportamentos de risco, como o excesso de velocidade de alguns ciclistas naquelas estruturas.
Há poucos dias, por exemplo, tiveram de intervir junto de um ciclista que circulava em velocidade excessiva num domingo de grande movimento. “Passou por nós a cerca de 40 quilómetros por hora, no meio das pessoas. Tivemos de intervir, conseguimos apanhá-lo, identificámo-lo, elaborámos o expediente e levantámos o auto”, contam.
Os agentes reconhecem que a maioria dos ciclistas aceita bem os conselhos da PSP, embora ainda exista caminho a percorrer. Lamentam que muitos automobilistas continuem a desrespeitar quem circula sobre duas rodas, incluindo eles próprios. “Já passámos alguns autos porque há automobilistas que não nos respeitam enquanto ciclistas, sobretudo nas distâncias de segurança impostas pelo Código da Estrada. Mesmo quando vamos fardados e identificados. O ciclista sofre na estrada mas muitas vezes quando vai para um passadiço esquece-se disso e acaba por sofrer o peão. Há uma sensibilização importante a fazer”, explicam.
Ao pedal faça chuva ou sol
O objectivo das ciclopatrulhas vai muito além da simples utilização da bicicleta como meio de transporte. Trata-se de uma estratégia de policiamento baseada na proximidade, na prevenção e na visibilidade. “Conseguimos chegar a sítios em que o carro não consegue chegar e chegamos muito mais rapidamente. Temos uma mobilidade completamente diferente”, explica Rui Pascoal.
Já Fábio Lopes acrescenta outra vantagem decisiva: “Também permite um patrulhamento numa área que não é facilmente patrulhada, como todos os trilhos ribeirinhos que temos entre Alverca e a Póvoa de Santa Iria. Nenhum carro-patrulha consegue lá ir, mas nós conseguimos garantir policiamento nessa zona e garantir que os passadiços não ficam desprotegidos”, explica. Num concelho com dezenas de quilómetros de frente ribeirinha esta capacidade faz toda a diferença. Enquanto um patrulhamento apeado poderia demorar grande parte do dia para percorrer os passadiços, de bicicleta o mesmo trajecto é encurtado para pouco mais de uma hora. “Se fosse apeado demorava oito horas a fazer o passadiço de uma ponta à outra. Nós conseguimos fazê-lo em muito menos do que isso e várias vezes”, explicam.
De Verão, o trabalho é facilitado pelas condições meteorológicas, mas de Inverno as condições tornam-se um desafio. “No Inverno, junto ao rio, sente-se muito o frio húmido. Já nos dias de chuva torna-se mais complicado porque aumenta o risco de queda. E no calor extremo também não é fácil, porque estamos sempre expostos ao sol”, contam.
Além da eficácia operacional, existe também uma dimensão humana nas ciclopatrulhas, dizem. “As pessoas vêm para os passadiços aproveitar o tempo livre e nós fazemos o nosso serviço nesse mesmo ambiente. Isso permite-nos ter uma conversa muito mais positiva e descontraída com o cidadão. Essa proximidade traduz-se numa maior confiança entre a população e a polícia”, explicam. E enquanto houver bicicletas e pernas para pedalar a missão continuará, garantem. Mesmo nos locais onde a polícia pareça distante há sempre uma bicicleta azul pronta a aparecer.


