Sociedade | 19-07-2026 18:00

Jovens talentos do ensino profissional mostram inovação e ambição em Tomar

Jovens talentos do ensino profissional mostram inovação e ambição em Tomar
João Paulo Coroado - foto O MIRANTE

Dezanove projectos desenvolvidos por alunos de sete escolas da região chegaram à final do IPT Young Talent 2026. A iniciativa distinguiu as melhores Provas de Aptidão Profissional e procurou incentivar os jovens a prosseguirem estudos no ensino superior.

O Instituto Politécnico de Tomar (IPT) recebeu, no dia 8 de Julho, a iniciativa IPT Young Talent 2026, que levou ao campus de Tomar 19 projectos finalistas desenvolvidos por estudantes do ensino profissional da região. O evento teve como principal objectivo reconhecer o mérito dos jovens, valorizar as suas Provas de Aptidão Profissional (PAP) e aproximar o ensino profissional do ensino superior. Os trabalhos foram seleccionados após um período de candidaturas que decorreu entre 23 de Abril e 30 de Junho, durante o qual cada estabelecimento de ensino pôde apresentar os melhores projectos realizados pelos seus alunos. Participaram estudantes da Escola Secundária com 3.º Ciclo Jácome Ratton, Escola Profissional de Torres Novas, Centro de Estudos de Fátima, Escola Profissional de Rio Maior, Instituto Educativo do Juncal, Escola Técnica Empresarial do Oeste e Agrupamento de Escolas Cidade do Entroncamento.
Em declarações a O MIRANTE, o presidente do Instituto Politécnico de Tomar, João Coroado, explicou que a instituição pretende proporcionar aos jovens mais conhecimentos e competências e criar condições para que possam dar continuidade, no ensino superior, ao percurso iniciado nas respectivas escolas. “Estes jovens têm um perfil profissionalizante e esse perfil está ajustado à missão do Instituto Politécnico de Tomar”, afirmou, defendendo que o ensino profissional assume uma importância semelhante à do ensino geral, embora siga uma abordagem diferente. Segundo João Coroado, a formação profissional distingue-se por associar a aquisição de conhecimentos ao desenvolvimento de competências práticas. “É óbvio que a velocidade de aprendizagem do conhecimento não pode ser tão acelerada como no ensino geral, mas o complemento da competência dá-lhe um suporte para que a formação, nomeadamente do ponto de vista do conhecimento, avance ao longo da vida”, sustentou.
O responsável considera, por isso, necessário valorizar este percurso de ensino e incentivar os alunos a reconhecerem as oportunidades que pode proporcionar, tanto no acesso ao mercado de trabalho como na continuação dos estudos. A realização do IPT Young Talent procurou também motivar os estudantes a desenvolverem os projectos apresentados, adquirirem novas competências e ultrapassarem os receios associados à exposição pública das suas ideias. Para João Coroado, cabe ao Politécnico e aos professores criar um ambiente de apoio que permita aos jovens arriscar e apresentar soluções inovadoras.
Muitas das propostas apresentadas nasceram de situações reais vividas pelos próprios alunos e foram transformadas em ideias de negócio, soluções tecnológicas ou projectos inovadores. Apesar das dificuldades encontradas durante o processo de desenvolvimento, vários participantes manifestaram a intenção de continuar a trabalhar nas suas propostas e de as transformar em iniciativas concretas.

O IPT distinguiu os melhores projectos de alunos finalistas do ensino profissional - foto O MIRANTE
O IPT distinguiu os melhores projectos de alunos finalistas do ensino profissional - foto O MIRANTE

“Sentimo-nos orgulhosos do nosso trabalho”

Miriádini Francisco e Miriam Kiala, da Escola Profissional de Torres Novas, encontraram inspiração na cidade onde vivem, o Entroncamento. As duas jovens perceberam que existia pouca oferta comercial ligada à cultura africana e decidiram transformar essa lacuna em oportunidade, desenvolvendo os projectos de um restaurante e de uma marca de roupa. Em declarações a O MIRANTE, as alunas reconheceram que o acompanhamento das professoras foi determinante para conseguirem avançar com as ideias. “As minhas professoras é que criaram os momentos para eu experimentar o meu projecto”, salientou Miriádini Francisco, destacando o papel da escola na concretização das ambições dos alunos.
Também os estudantes do Centro de Estudos de Fátima sublinharam o apoio recebido durante a preparação dos trabalhos. Tomás Vieira explicou que o acompanhamento dos docentes e dos colegas ajudou a ultrapassar as dificuldades. “Tivemos bastante suporte dos professores e dos colegas”, afirmou. Depois de vários meses de trabalho, cumprimento de prazos, ansiedade e nervos à flor da pele, a apresentação no Politécnico de Tomar acabou por representar um momento de reconhecimento e realização pessoal. Maria Gonçalves descreveu a participação no IPT Young Talent como uma oportunidade para “sentir-nos orgulhosos do nosso trabalho”, enquanto William classificou todo o processo como “incrível”.

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