Acção social da Casa do Povo de Vialonga chega a mais de 3.500 pessoas
Pedro Canto sucedeu na presidência da Casa do Povo de Vialonga a Carlos Agostinho, que liderou a instituição durante cerca de três décadas. A colectividade emprega perto de uma centena de pessoas e presta apoio social, educativo e cultural. A consolidação financeira, a retenção de profissionais e o reforço das respostas à comunidade estão entre as prioridades da nova direcção.
Pedro Canto é o novo presidente da Casa do Povo de Vialonga (CPV), sucedendo a Carlos Agostinho, que esteve cerca de três décadas à frente da instituição e que passa agora a presidir à mesa da assembleia-geral. A tomada de posse decorreu a 18 de Junho, tendo os novos órgãos sociais sido eleitos para um mandato de quatro anos.
Pedro Canto já integrava os órgãos sociais, na assembleia-geral, mas em 2019 apresentou um projecto para a criação de um gabinete de acção social na Casa do Povo, contribuindo para uma mudança nas áreas de intervenção da colectividade. Nessa altura afastou-se dos órgãos sociais para se dedicar ao projecto, que continua actualmente a assegurar o acompanhamento de famílias beneficiárias do Rendimento Social de Inserção (RSI), bem como a gestão da cantina social e da loja social.
Actualmente, a CPV presta apoio a mais de 3.500 pessoas através das diversas respostas sociais, educativas e comunitárias. Se durante muitos anos a instituição foi sobretudo conhecida pela sua actividade cultural, a aposta na educação e na intervenção social acabou por alargar significativamente a sua área de actuação. Emprega actualmente cerca de uma centena de pessoas, entre trabalhadores efectivos, contratos a termo e prestadores de serviços.
Reter bons profissionais é um desafio
Em termos financeiros Pedro Canto garante que a situação está estabilizada. A CPV mantém uma dívida entre os 400 e os 500 mil euros associada ao investimento realizado através do programa PARES, mas o responsável assegura que o encargo está devidamente enquadrado na gestão da instituição. As receitas provenientes das respostas sociais, dos refeitórios e da escola a tempo inteiro permitem assegurar o equilíbrio financeiro.
O novo presidente identifica como principal desafio a necessidade de tornar a instituição mais organizada e estruturada, ao mesmo tempo que procura reforçar a qualificação dos recursos humanos. A retenção de profissionais é uma dificuldade crescente, sobretudo devido à concorrência do sector público e das autarquias. “Somos, muitas vezes, uma espécie de entidade formadora, onde as pessoas ganham experiência e acabam por seguir para outros locais com melhores remunerações. O nosso desafio é conseguir oferecer melhores condições salariais para reter esses profissionais”, sublinha.
A actividade da instituição assenta em três grandes fontes de financiamento: a Segurança Social, através das respostas sociais e da Creche Feliz; a Câmara de Vila Franca de Xira, no âmbito da escola a tempo inteiro e do fornecimento de refeições; e diversos programas de apoio e candidaturas a financiamentos. Entre estes destaca-se o projecto Recriar-te, apoiado pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), que tem permitido captar verbas para o desenvolvimento de iniciativas comunitárias. Nos últimos anos, a CPV ampliou também as respostas de creche e berçário.
Famílias com graves dificuldades financeiras
Apesar das mudanças sociais registadas nas últimas décadas, o presidente reconhece que Vialonga continua a apresentar situações de grande vulnerabilidade económica. Actualmente, acompanham 707 pessoas de Rendimento Social de Inserção (RSI) de várias freguesias do concelho. Ainda na área social, a cantina social fornece refeições a 14 pessoas e, através do Programa Operacional de Apoio às Pessoas Mais Carenciadas, são apoiados 88 beneficiários. No âmbito do Serviço de Atendimento e Acompanhamento Social Integrado, a instituição acompanha 39 pessoas.
O Banco de Apoio à Maternidade e à Criança presta ajuda a 215 pessoas e o Banco de Apoio à Família apoia 155. Já o Centro de Apoio Familiar e Aconselhamento Parental, que funciona em parceria com a ABEI, acompanha 85 famílias. O programa Recriarte abrange 312 participantes.
Na vertente educativa, a instituição acolhe 16 bebés no berçário, 117 crianças em creche e 100 no ensino pré-escolar. A estas juntam-se 260 crianças nas Actividades de Enriquecimento Curricular, 63 na Componente de Apoio à Família e 74 nas Actividades de Animação e Apoio à Família.
Na área cultural, cerca de 50 pessoas participaram, em 2025, nas iniciativas dos Trilhos e Percursos de Vialonga, enquanto as Noites de Verão reuniram perto de 800 participantes na edição do ano passado. Os números não incluem outras respostas disponibilizadas pela instituição, como o Banco de Ajudas Técnicas, o programa de voluntariado, a Loja Social de Vialonga ou o apoio às refeições escolares.
Lar de idosos é um sonho adiado
A criação de uma Estrutura Residencial para Pessoas Idosas continua a ser um sonho, mas o projecto para já não tem condições para avançar. A instituição chegou a obter uma aprovação de financiamento no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), no valor de 1,6 milhões de euros, mas a subida dos custos de construção acabou por inviabilizar o avanço da obra. O aumento dos preços das matérias-primas, agravado pelo contexto internacional após o início da guerra na Ucrânia, fez disparar os encargos muito acima do previsto.
Apesar de o financiamento do PRR ter sido posteriormente reforçado em 20%, os custos da construção registavam aumentos superiores a 40%, tornando impossível assegurar a sustentabilidade do investimento, mesmo com o apoio do município. A anterior direcção chegou a estudar alternativas para viabilizar o projecto, conforme noticiou O MIRANTE, incluindo a eventual alienação de património da instituição, mas as propostas recebidas não foram consideradas suficientes.
Para os próximos anos, a nova direcção definiu como prioridades a valorização dos trabalhadores e utentes, a sustentabilidade financeira, a melhoria contínua dos serviços e a inovação. Entre as áreas em estudo para futuros investimentos encontram-se os centros de estudo, a formação profissional e a criação de espaços de coworking. “Temos muitas ideias, mas temos de actuar com responsabilidade. Há muitas pessoas que dependem da Casa do Povo e queremos manter o equilíbrio financeiro da instituição, criando condições para investir no futuro”, sublinha o presidente da CPV.
Requalificar espaços e apostar na cultura
A instituição vai acolher temporariamente o FabLab e o Centro de Letras, dois projectos municipais que necessitam de novas instalações devido às obras em curso no Centro Comunitário de Vialonga. Foi requalificada uma área situada na parte inferior do edifício, anteriormente utilizada como garagem.
Na vertente cultural a Casa do Povo mantém uma programação diversificada. As Noites de Verão, organizadas em parceria com o município, chegam este ano à terceira edição, depois de terem reunido cerca de 800 participantes em 2025. A instituição promove ainda iniciativas ligadas aos Trilhos e Percursos de Vialonga, teatro inclusivo, sessões de cinema e exposições. “Queremos que a antiga Casa do Povo, um espaço de referência para toda a população de Vialonga, tenha uma programação cultural anual construída em conjunto com todos os parceiros que queiram participar”, afirma Pedro Canto.


