Sociedade | 20-07-2026 15:00

Mais de 12,7 milhões para devolver dignidade às famílias atingidas em Ourém

Mais de 12,7 milhões para devolver dignidade às famílias atingidas em Ourém
Luís Albuquerque - foto arquivo O MIRANTE

Luís Albuquerque diz que o concelho cumpriu o dever de estar ao lado das populações e aponta mais de 12,7 milhões de euros em apoios às primeiras habitações. Apesar dos elogios do Governo, o autarca reconhece que há ainda estradas, equipamentos, escolas, património e associações a recuperar num processo que continua a exigir músculo, dinheiro e persistência.

Ourém foi violentamente atingido pelas tempestades do início do ano, mas a câmara municipal quer afirmar o concelho como um exemplo nacional de resposta à destruição. Na última assembleia municipal, o presidente da autarquia, Luís Albuquerque, fez um balanço duro dos estragos, mas também reivindicou o trabalho desenvolvido pelo município na recuperação do território e no apoio às famílias que viram as suas casas afectadas. O autarca apresentou números expressivos: 12.763.755,91 euros de apoio às casas de primeira habitação, num universo de 3.758 candidaturas. Destas, 2.877 já foram pagas, 866 foram indeferidas e 15 continuam em análise final pela CCDR. Para Luís Albuquerque, este processo está concluído do lado da autarquia e representa a escolha política de colocar as pessoas à frente da burocracia.
O presidente da câmara lembrou as palavras do ministro da Economia e da Coesão Territorial na cerimónia solene do Dia do Município, considerando que o reconhecimento público de Ourém como referência nacional é motivo de satisfação, orgulho e sentimento de dever cumprido. Num concelho ferido pela força da intempérie, Luís Albuquerque quis deixar a mensagem de que a autarquia não se limitou a gerir formulários. “Esteve no terreno, acompanhou famílias, mobilizou serviços e procurou responder à escala de uma tragédia que deixou marcas profundas”, disse.
Também no património monumental, a autarquia procurou transformar a recuperação em sinal de resistência. A reabertura do Castelo de Ourém, a 4 de Junho, com a presença da ministra da Cultura, Juventude e Desporto, foi apresentada pelo autarca como um momento simbólico. O monumento, atingido pela tempestade, reabriu antes da época alta da vila medieval, evitando que a ferida patrimonial se prolongasse para dentro da principal época turística. Para Luís Albuquerque, o elogio da governante ao trabalho realizado confirma que o executivo está no caminho certo. Mas o discurso do presidente da câmara não escondeu a dimensão dos problemas que continuam por resolver. Há nove vias que continuam encerradas ao trânsito e cuja requalificação está agora em fase de procedimentos concursais. “São ligações interrompidas, rotinas alteradas e populações obrigadas a conviver com os efeitos prolongados da destruição”, lamentou. Nos equipamentos municipais, a lista de danos também é extensa. Estão em curso procedimentos para recuperar o Centro de Recolha Oficial, o Centro de Saúde de Caxarias e o passadiço do Agroal, infraestruturas atingidas pela tempestade e essenciais para diferentes dimensões da vida do concelho. A recuperação destes espaços será decisiva para devolver serviços, segurança e confiança às populações.
Na área florestal, Luís Albuquerque sublinhou que Ourém foi o primeiro concelho do país a ver aprovada a OIGP 2.0. Segundo o autarca, decorrem trabalhos de retirada de material lenhoso e limpeza de vias florestais nos polígonos identificados pelo ICNF, estando 99% dos caminhos florestais desimpedidos. Numa região onde a floresta é riqueza, mas também risco, esta intervenção é apresentada como uma frente essencial da reconstrução e da prevenção. As escolas danificadas pela intempérie serão intervencionadas durante a interrupção lectiva, estando já a decorrer os procedimentos administrativos para corrigir os estragos. O autarca deu ainda destaque ao apoio da Jerónimo Martins na recuperação de edifícios de IPSS e de casas de primeira habitação que ficaram sem condições mínimas para receber de volta as famílias. A resposta municipal estende-se ainda às associações culturais e recreativas, muitas delas também “feridas” nos seus espaços e sedes, mas sem acesso a uma linha nacional de financiamento semelhante à criada para as associações desportivas. O presidente da câmara garantiu que o município está a trabalhar ao lado dessas colectividades, reconhecendo o seu papel na vida das freguesias e na coesão social do concelho. Também as juntas de freguesia terão apoio na reconstrução do seu património, através de protocolos financeiros próximos dos 500 mil euros.

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