Burla informática causa prejuízo de 25 mil euros na Casa Mãe
Instituição de Aveiras de Cima, que acolhe crianças e jovens em risco, ficou sem 25 mil euros poucos dias depois de receber o subsídio mensal da Segurança Social. Padre António Cardoso, presidente da direcção, avançou com dinheiro pessoal para garantir os vencimentos dos funcionários. Caso está a gerar onda de solidariedade.
A Casa do Pombal – A Mãe, instituição de solidariedade social de Aveiras de Cima, concelho de Azambuja, foi vítima de uma burla informática que retirou 25 mil euros da sua conta bancária. O dinheiro desapareceu apenas dois dias depois de ter sido depositado o subsídio mensal da Segurança Social e precisamente na semana em que tinham de ser pagos os salários dos funcionários.
Perante a falta inesperada de liquidez, o padre e presidente da direcção da instituição, António José Cardoso, avançou com dinheiro pessoal para que os trabalhadores não ficassem sem receber. A O MIRANTE explicou que recorreu às suas poupanças e a dinheiro proveniente da herança de uma irmã recentemente falecida, permitindo à Casa Mãe cumprir as suas responsabilidades num momento particularmente difícil.
A situação foi comunicada de imediato às autoridades, estando a ser investigada pela GNR e pela Polícia Judiciária, que procuram apurar de que forma foi concretizada a transferência fraudulenta dos 25 mil euros. António Cardoso adianta que a instituição bancária tem acompanhado a situação com preocupação e tem-se mostrado colaborante no esclarecimento do sucedido, estando a Casa Mãe a fornecer às autoridades e ao banco todos os elementos necessários à investigação.
A direcção da associação decidiu tornar público o caso não apenas para esclarecer sócios, amigos e benfeitores, mas também para alertar outras instituições e cidadãos para os riscos das burlas informáticas.
Burla despertou onda de solidariedade
A revelação do prejuízo, sublinha o presidente da direcção da instituição, despertou uma forte resposta da comunidade. “Estamos a sentir a preocupação das pessoas e posso dizer que, como resultado da informação que divulgámos, temos recebido imensas pessoas a oferecer donativos”, afirmou António Cardoso. Questionado por O MIRANTE sobre se a instituição está a aceitar essas ajudas, respondeu de forma directa: “Claro que estamos, precisamos”.
A Casa do Pombal – A Mãe é uma associação de solidariedade social constituída em 1999 que, desde 2005, acolhe crianças e jovens retirados às famílias por decisão judicial devido a situações de maus-tratos, negligência ou exclusão social. Tem capacidade para 20 utentes, dos bebés aos jovens adultos, procurando assegurar-lhes segurança, afecto, educação e condições para construírem um projecto de vida.
Prior tem canalizado heranças em prol da instituição
Não é a primeira vez que uma herança familiar é colocada por António Cardoso ao serviço da instituição. A própria Casa Mãe nasceu depois de uma irmã mais velha e o marido desta lhe terem deixado uma habitação no Estoril. O imóvel foi vendido e a verba, juntamente com outros donativos, permitiu adquirir a Quinta do Pombal e concretizar o sonho de criar uma casa permanente para crianças que não encontravam segurança no seu ambiente familiar.
A instituição depende do apoio da Segurança Social, dos sócios, de empresas e da generosidade da população para suportar uma estrutura que exige funcionamento permanente e profissionais qualificados. As ofertas de alimentos, roupa e dinheiro, assim como as verbas angariadas pelas conhecidas “avozinhas” nas feiras e iniciativas locais, representam uma ajuda preciosa num orçamento anual que ronda os 800 mil euros.


