Casa abandonada há 25 anos no Entroncamento transformada em foco de ratos, baratas e cobras
Morador da Travessa 25 de Abril denuncia riscos para a saúde pública e para a segurança da própria habitação. Imóvel devoluto está degradado há décadas e a Câmara do Entroncamento admite que o processo, aberto em 2023, foi arquivado sem qualquer intervenção.
Uma habitação abandonada há cerca de 25 anos, no rés-do-chão de um condomínio da Travessa 25 de Abril, no Entroncamento, está a provocar a indignação e a preocupação dos moradores, que denunciam a proliferação de ratazanas, baratas, osgas e até cobras. Armando Marmelo, de 76 anos, vive no prédio há cerca de meio século e teme que a degradação do imóvel coloque em risco não só a saúde pública, mas também a segurança da marquise do apartamento onde reside. O morador explica que a casa devoluta se encontra directamente por baixo da sua habitação e que o avançado estado de degradação do tecto estará a afectar o pavimento da marquise. “Tenho medo, porque o chão da marquise está a estalar devido ao tecto da casa de baixo estar degradado”, afirmou a O MIRANTE.
Durante uma visita ao local, O MIRANTE confirmou o estado de abandono do imóvel. Na porta de entrada foi colocada fita adesiva em redor das extremidades, numa tentativa de evitar que insectos e outros animais saiam da habitação e se espalhem pelas zonas comuns e restantes apartamentos. “Aquilo é um nojo. Está cheio de ratos, osgas, baratas e até cobras lá vi. Depois os bichos passam para os outros rés-do-chão, tanto para o lado esquerdo como para o direito”, relata Armando Marmelo. Segundo o morador, a situação arrasta-se há várias décadas. Os antigos proprietários já terão falecido e o imóvel pertence actualmente aos filhos, que nunca terão procedido à sua recuperação ou limpeza. “Há 25 anos que aqui não vem ninguém. Os donos morreram há cerca de 40 anos e os proprietários são os filhos. A casa foi vandalizada e por dentro está toda partida e degradada”, descreve.
Armando Marmelo garante ter alertado a Câmara do Entroncamento há mais de dois anos, mas sem qualquer resultado. “Disseram que iam analisar e passaram o assunto para os engenheiros da câmara, mas depois só houve silêncio. Disseram-me que tinha de aguardar, mas as coisas estão cada vez mais destruídas”, lamenta. Com problemas oncológicos e outras limitações de saúde, o morador diz viver angustiado perante a possibilidade de a degradação do imóvel provocar danos ainda mais graves na sua casa. “Eu e a minha esposa gastamos cerca de 500 euros por mês na farmácia. Temos uma pensão de 1.200 euros entre os dois. Onde é que tenho dinheiro para mandar arranjar a marquise se a casa de baixo continuar a degradar-se”, questiona.
Processo de 2023 arquivado pelo anterior executivo
Contactado por O MIRANTE, o presidente da Câmara do Entroncamento, Nelson Cunha, confirmou que o assunto tinha dado origem a um processo municipal em 2023, mas que acabou por ser arquivado sem qualquer intervenção. “Foi um assunto de 2023 em que o anterior executivo nada fez e arquivou o processo. Vamos reabrir o caso e a fiscalização vai deslocar-se ao local em breve”, garantiu o autarca. Nelson Cunha explicou que os serviços municipais vão começar por avaliar o estado do imóvel e determinar os procedimentos a adoptar. “Os fiscais vão avaliar o local para depois actuarmos de acordo com os meios necessários”, afirmou. O presidente esclareceu ainda que a autarquia apenas poderá avançar com uma intervenção directa caso a fiscalização confirme a existência de um risco efectivo para a saúde pública.


