Sociedade | 21-07-2026 10:00

Ginásio deixa moradores de Alcanena à beira de um ataque de nervos

Ginásio deixa moradores de Alcanena à beira de um ataque de nervos
Moradores queixam-se do ruído e falta de estacionamento por causa da abertura de um ginásio na rua onde vivem - foto O MIRANTE

Ruído desde as primeiras horas da manhã e falta de estacionamento levaram moradores da Rua Manuel de Arriga à Assembleia Municipal de Alcanena. Câmara admite rever o projecto acústico e ponderar lugares reservados a residentes.

Moradores da Rua Manuel de Arriga, em Alcanena, contestam o ruído e a pressão sobre o estacionamento provocados pelo funcionamento de um ginásio numa zona habitacional. O caso foi levado à última assembleia municipal, onde os residentes acusaram a Câmara Municipal de Alcanena de ter autorizado a actividade sem acautelar devidamente o impacto na vizinhança.
Em representação dos moradores da zona que se estende até ao Beco Forno da Telha, Maria de Lurdes afirmou que o funcionamento do ginásio “tem perturbado imenso a vizinhança”, com ruído que, segundo disse, se faz sentir “desde as sete da manhã às nove e meia da noite”. A moradora classificou a situação como “um inferno constante” e garantiu que, há cerca de dois meses, os residentes vivem confrontados com barulho, dificuldades de estacionamento e falta de resposta eficaz das entidades competentes. Segundo a munícipe, já foram feitas participações à câmara municipal, à GNR e reunidos elementos como fotografias, vídeos e gravações, sem que o problema tenha sido resolvido. Maria de Lurdes sublinhou que os moradores não estão contra a actividade económica nem contra a prática desportiva, mas sim contra aquilo que consideram ser falta de planeamento, fiscalização e medidas que permitam compatibilizar o funcionamento do ginásio com a vida numa zona residencial.
O presidente da Câmara de Alcanena, Rui Anastácio, assegurou que o licenciamento foi concedido “no estrito cumprimento da lei” e de acordo com o Plano Director Municipal. Ainda assim, admitiu que a localização pode não ser a mais adequada. “É capaz de não ser o melhor sítio para ser localizado, mas o que é verdade é que o PDM o permite”, afirmou. Sobre o ruído, o autarca reconheceu que o processo deve ser reapreciado, nomeadamente ao nível do projecto acústico. Rui Anastácio explicou que esse tipo de projecto é entregue na autarquia e assinado por técnico especializado, partindo-se do princípio de que cumpre a lei. “Mas iremos rever e, se não estiver a cumprir, o caso muda de figura”, garantiu.
Quanto ao estacionamento, o presidente da câmara referiu que o promotor cumpriu as exigências previstas no PDM, mas anunciou que a autarquia já aprovou um projecto de reorganização do espaço público, com marcação de lugares, passadeiras e corredores pedonais. Rui Anastácio admitiu ainda que pode ser estudada a criação de lugares reservados a moradores, embora tenha lembrado que “o espaço público é espaço público” e que, por regra, os residentes não têm direito automático a estacionamento privativo.

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