Sociedade | 22-07-2026 18:00

Abrantes avança com dinheiro municipal após seis meses de espera por apoios do Governo

Abrantes avança com dinheiro municipal após seis meses de espera por apoios do Governo

Prejuízos provocados pela tempestade Kristin e pelas cheias ultrapassam os 16 milhões de euros, mas o município recebeu até agora apenas cerca de um milhão. Manuel Valamatos critica a falta de resposta do Estado e diz que a autarquia vai assumir as intervenções mais urgentes.

Seis meses depois da tempestade Kristin e das cheias que atingiram o concelho, Abrantes continua sem garantias de apoio estatal para recuperar a maioria das infraestruturas danificadas. Perante a ausência de respostas, a câmara municipal vai avançar com verbas próprias para as obras consideradas mais urgentes. “Estamos a desenvolver procedimentos e projectos e vamos avançar, obviamente, com dinheiro municipal, mas queremos acreditar que vamos ter mais apoios governamentais”, afirmou o presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, após a reunião do executivo municipal de terça-feira, 21 de Julho.
O município estima prejuízos superiores a 16 milhões de euros, mas terá recebido até agora apenas cerca de um milhão. “O apoio é absolutamente diminuto, insuficiente para aquilo que é a resposta que o município tem de dar”, criticou o autarca. Os danos abrangem estradas, pontões, parques infantis, zonas de lazer, iluminação pública, linhas de água, o açude de Abrantes e vários equipamentos públicos, muitos dos quais continuam por recuperar. Manuel Jorge Valamatos considera que o concelho foi particularmente penalizado pela forte pluviosidade e pelas cheias que se seguiram à tempestade, mas que a resposta do Governo se concentrou sobretudo nas habitações permanentes e nos estragos directamente provocados pela depressão Kristin. “Os municípios afectados pelas cheias, e particularmente Abrantes, ainda não tiveram um olhar atento”, afirmou.

Reunião com ministra adiada pela terceira vez
O presidente da Câmara revelou também que continua sem conseguir reunir-se com a ministra do Ambiente. O encontro, destinado a discutir intervenções nas linhas de água e que estava marcado para 30 de Julho, foi adiado pela terceira vez. “Torna-se absolutamente urgente reunir com a senhora ministra e com a Agência Portuguesa do Ambiente para tomarmos decisões e encontrarmos mecanismos de apoio”, declarou. Entre as prioridades estão as intervenções em ribeiras e linhas de água, cuja responsabilidade pertence maioritariamente à Agência Portuguesa do Ambiente, e a recuperação de estradas municipais afectadas por deslizamentos de terras devido à saturação dos solos. A autarquia aguarda igualmente que a Infraestruturas de Portugal cumpra o calendário anunciado para as obras na Estrada Nacional 2, na zona de Espinhaço de Cão, e na EN118, entre Tramagal e Rossio ao Sul do Tejo. Segundo Valamatos, o estado da EN2 está a prejudicar os cidadãos e a economia local e regional.
Uma das intervenções mais complexas é a recuperação da estrada entre Martinchel e Constância. A Câmara pretende repor primeiro a circulação alternada e avançar posteriormente para uma solução definitiva de estabilização da encosta. Apesar dos atrasos, alguns equipamentos públicos já reabriram, como o Jardim do Castelo, embora ainda sejam necessárias obras de consolidação da muralha e do talude adjacente.
Na mesma reunião, o executivo aprovou a atribuição de 150 mil euros à Junta de Freguesia do Carvalhal para o início da construção de um pavilhão multiusos que vai substituir estruturas destruídas pela tempestade. Manuel Valamatos espera que futuros instrumentos de financiamento, incluindo verbas do Plano de Recuperação e Resiliência, possam comparticipar algumas das intervenções estruturantes. Ainda assim, insiste que Abrantes necessita de apoio directo do Governo e reclama “a mesma equidade que outros municípios têm tido” na resposta aos danos provocados pela tempestade e pelas cheias.

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