Abrantes avança com dinheiro municipal após seis meses de espera por apoios do Governo
Prejuízos provocados pela tempestade Kristin e pelas cheias ultrapassam os 16 milhões de euros, mas o município recebeu até agora apenas cerca de um milhão. Manuel Valamatos critica a falta de resposta do Estado e diz que a autarquia vai assumir as intervenções mais urgentes.
Seis meses depois da tempestade Kristin e das cheias que atingiram o concelho, Abrantes continua sem garantias de apoio estatal para recuperar a maioria das infraestruturas danificadas. Perante a ausência de respostas, a câmara municipal vai avançar com verbas próprias para as obras consideradas mais urgentes. “Estamos a desenvolver procedimentos e projectos e vamos avançar, obviamente, com dinheiro municipal, mas queremos acreditar que vamos ter mais apoios governamentais”, afirmou o presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, após a reunião do executivo municipal de terça-feira, 21 de Julho.
O município estima prejuízos superiores a 16 milhões de euros, mas terá recebido até agora apenas cerca de um milhão. “O apoio é absolutamente diminuto, insuficiente para aquilo que é a resposta que o município tem de dar”, criticou o autarca. Os danos abrangem estradas, pontões, parques infantis, zonas de lazer, iluminação pública, linhas de água, o açude de Abrantes e vários equipamentos públicos, muitos dos quais continuam por recuperar. Manuel Jorge Valamatos considera que o concelho foi particularmente penalizado pela forte pluviosidade e pelas cheias que se seguiram à tempestade, mas que a resposta do Governo se concentrou sobretudo nas habitações permanentes e nos estragos directamente provocados pela depressão Kristin. “Os municípios afectados pelas cheias, e particularmente Abrantes, ainda não tiveram um olhar atento”, afirmou.
Reunião com ministra adiada pela terceira vez
O presidente da Câmara revelou também que continua sem conseguir reunir-se com a ministra do Ambiente. O encontro, destinado a discutir intervenções nas linhas de água e que estava marcado para 30 de Julho, foi adiado pela terceira vez. “Torna-se absolutamente urgente reunir com a senhora ministra e com a Agência Portuguesa do Ambiente para tomarmos decisões e encontrarmos mecanismos de apoio”, declarou. Entre as prioridades estão as intervenções em ribeiras e linhas de água, cuja responsabilidade pertence maioritariamente à Agência Portuguesa do Ambiente, e a recuperação de estradas municipais afectadas por deslizamentos de terras devido à saturação dos solos. A autarquia aguarda igualmente que a Infraestruturas de Portugal cumpra o calendário anunciado para as obras na Estrada Nacional 2, na zona de Espinhaço de Cão, e na EN118, entre Tramagal e Rossio ao Sul do Tejo. Segundo Valamatos, o estado da EN2 está a prejudicar os cidadãos e a economia local e regional.
Uma das intervenções mais complexas é a recuperação da estrada entre Martinchel e Constância. A Câmara pretende repor primeiro a circulação alternada e avançar posteriormente para uma solução definitiva de estabilização da encosta. Apesar dos atrasos, alguns equipamentos públicos já reabriram, como o Jardim do Castelo, embora ainda sejam necessárias obras de consolidação da muralha e do talude adjacente.
Na mesma reunião, o executivo aprovou a atribuição de 150 mil euros à Junta de Freguesia do Carvalhal para o início da construção de um pavilhão multiusos que vai substituir estruturas destruídas pela tempestade. Manuel Valamatos espera que futuros instrumentos de financiamento, incluindo verbas do Plano de Recuperação e Resiliência, possam comparticipar algumas das intervenções estruturantes. Ainda assim, insiste que Abrantes necessita de apoio directo do Governo e reclama “a mesma equidade que outros municípios têm tido” na resposta aos danos provocados pela tempestade e pelas cheias.


