Santarém entre os distritos mais castigados pelas tempestades com mais de 22 mil sinistros
Distrito de Santarém registou entre 22 mil e 26 mil participações às seguradoras na sequência das tempestades que atingiram o país no início do ano. A nível nacional, foram pagos ou provisionados 1,4 mil milhões de euros em indemnizações, mas apenas 26% dos prejuízos estimados estavam cobertos por seguros.
O distrito de Santarém está entre os territórios com maior número de sinistros registados na sequência das tempestades que atingiram Portugal no início do ano. Segundo dados apresentados no parlamento pelo presidente da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF), Santarém contabilizou entre 22 mil e 26 mil participações, um número semelhante ao verificado nos distritos de Lisboa e Coimbra. Leiria foi o distrito mais atingido, com cerca de 85 mil sinistros. No total do país, as seguradoras receberam 218 mil participações e pagaram ou provisionaram cerca de 1,4 mil milhões de euros em indemnizações.
Gabriel Bernardino, ouvido na Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública, classificou o conjunto de tempestades como o fenómeno que provocou “o maior número de sempre” de sinistros reportados em Portugal. As perdas totais são estimadas em 5,3 mil milhões de euros, mas apenas 26% desse valor estava protegido por contratos de seguro. Dos 1,4 mil milhões de euros assumidos pelas seguradoras, apenas cerca de 9% deverão ficar a cargo das companhias que operam em Portugal. O restante risco será suportado pelo mercado internacional de resseguros, mecanismo que permite repartir os custos de catástrofes de grande dimensão. Até 10 de Julho, 99,6% dos sinistros comunicados tinham sido alvo de peritagem, 84,5% encontravam-se encerrados e 88,4% estavam regularizados. Os processos ainda pendentes estarão sobretudo relacionados com participações tardias e com prejuízos em empresas, que obrigam a avaliações mais demoradas e complexas.
As habitações representam a maioria das ocorrências, com 179 mil dos 218 mil sinistros registados. Apesar disso, os encargos das seguradoras com os danos em casas, estimados em 660 milhões de euros, são semelhantes aos prejuízos verificados nos sectores do comércio e da indústria. Perante a dimensão dos danos, Gabriel Bernardino admitiu que algumas seguradoras possam apresentar resultados negativos este ano, embora tenha garantido que o sector continua financeiramente “robusto”. A ASF prepara agora um relatório detalhado sobre a resposta às tempestades, incluindo as reclamações apresentadas pelos consumidores, a actuação das seguradoras e as centenas de processos em que terão sido detectados dados fraudulentos. O regulador está também a discutir com o Governo a criação de um Fundo de Catástrofes destinado a responder a fenómenos climáticos extremos. A proposta prevê uma repartição do risco e dos encargos entre cidadãos, empresas, seguradoras e Estado.


