Mais comboios ameaçam agravar caos no estacionamento em Azambuja
Município aprovou posição enviada no âmbito da avaliação ambiental da quadruplicação da Linha do Norte na qual pede à Infraestruturas de Portugal que ajude a criar estacionamento para responder ao aumento previsto da frequência ferroviária.
O reforço da oferta ferroviária promete aproximar mais Azambuja de Lisboa, mas ameaça agravar um problema que há muito condiciona quem utiliza diariamente o comboio: a falta de estacionamento junto à estação e no centro da vila. A Câmara de Azambuja quer, por isso, que a Infraestruturas de Portugal (IP) assuma responsabilidades e participe na construção de novos parques de estacionamento para receber os passageiros que serão atraídos por comboios suburbanos a circular de dez em dez minutos.
Nesse sentido, o executivo municipal aprovou por unanimidade, na reunião de 21 de Julho, a ratificação da pronúncia apresentada no âmbito da consulta pública do processo de Avaliação de Impacte Ambiental n.º 3922, relativo ao projecto de quadruplicação da Linha do Norte entre Castanheira do Ribatejo e Azambuja.
Na apresentação da proposta, o vice-presidente da autarquia, António José Matos, explicou que, ao contrário do que acontecerá noutros pontos do traçado, não estão previstas expropriações de terrenos no concelho de Azambuja para permitir o alargamento da ferrovia. Segundo o autarca, nesse território já existem as quatro linhas necessárias, que serão alvo de requalificação.
A ausência de expropriações não significa, contudo, que o projecto passe ao lado do concelho. António José Matos deixou claro que o aumento da capacidade ferroviária terá consequências directas na envolvente da estação. “Com quatro vias e comboios a passar de dez em dez minutos”, a pressão sobre o estacionamento “ainda vai ser maior”, alertou.
A estação ferroviária de Azambuja tem, ao longo dos anos, aumentado a pressão no estacionamento quer junto à estação quer no centro da vila, onde se torna difícil conseguir um lugar para estacionar para ir ao comércio ou serviços. O município fala há vários anos na necessidade de criar mais estacionamento, tendo equacionado o estacionamento pago em algumas zonas centrais da vila.
A posição remetida pela Câmara de Azambuja insta, por isso, a IP a envolver-se na definição e financiamento de uma solução para a criação de parques de estacionamento. A autarquia considera insuficiente a simples reorganização do espaço actualmente existente junto à estação, onde a empresa ferroviária prevê abrir ao público uma área utilizada por funcionários e criar apenas cerca de 30 lugares.
O projecto abrange cerca de 12,9 quilómetros e prevê intervenções nas estações e apeadeiros de Castanheira do Ribatejo, Carregado, Vila Nova da Rainha, Espadanal e Azambuja. A quadruplicação permitirá separar diferentes tipos de tráfego e aumentar a frequência dos comboios suburbanos, actualmente limitada pela saturação da Linha do Norte.


