Novo aeroporto deverá abrir em 2035 e custar até 8,9 mil milhões
Relatório técnico entregue pela ANA ao Governo aponta para o arranque das obras em 2029 e uma capacidade inicial de 56 milhões de passageiros por ano.
O Aeroporto Luís de Camões deverá representar um investimento entre 7,9 mil milhões e 8,9 mil milhões de euros, a preços de 2024, segundo o relatório técnico divulgado ontem, 22 de Julho.
O intervalo agora apresentado actualiza a estimativa avançada pela ANA em 2025, no relatório preliminar, que apontava para um investimento de 8,5 mil milhões de euros.
A construção deverá começar em 2029 e ficar concluída até 2033. Depois dos trabalhos de testes e certificação, a abertura da nova infra-estrutura aeroportuária está prevista a partir de 2035, antecipando o prazo anteriormente indicado, que apontava para meados de 2037.
"O relatório técnico permite-nos avaliar com um pouco mais de precisão os faseamentos da realização das obras, a duração e identificar melhor a faixa de custos de construção do projecto", afirmou o presidente da comissão executiva da ANA, Thierry Ligonnière.
O documento, entregue ao Governo, permite avançar para os estudos prévios, também designados por ‘basic design’, e para o aprofundamento arquitectónico do projecto.
O presidente do conselho de administração da ANA, José Luís Arnaut, considerou que a entrega do relatório testemunha "muito trabalho, mesmo muito trabalho silencioso", desenvolvido nos últimos meses, e representa uma prova do compromisso da concessionária com a decisão do Governo sobre o novo aeroporto.
Thierry Ligonnière salientou que o documento foi entregue "dentro dos prazos previstos no contrato de concessão, ao dia exacto", sendo o terceiro relatório apresentado no âmbito do processo, depois do relatório inicial e do documento relativo à consulta das partes interessadas.
Com capacidade prevista para 56 milhões de passageiros por ano no momento da abertura, a nova infra-estrutura, a construir na freguesia de Samora Correia, concelho de Benavente, deverá poder desenvolver-se até aos 85 milhões de passageiros anuais.
O projecto prevê, na fase inicial, duas pistas, 64 portas de embarque, 72 pontes de embarque em contacto e um terminal de passageiros com cerca de 500 mil metros quadrados.
"Sonhámos durante 50 anos com um novo aeroporto e hoje estamos a cumpri-lo", afirmou o ministro das Infra-estruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz.
Este é o terceiro documento entregue pela concessionária no âmbito da preparação da candidatura ao Aeroporto Luís de Camões, depois do relatório de consultas, apresentado em Julho de 2025, e do relatório preliminar do estudo ambiental, entregue em Janeiro deste ano.
A ANA prevê entregar até ao final de Julho à Agência Portuguesa do Ambiente o Estudo de Impacto Ambiental, com quase cinco mil páginas. De acordo com o calendário estabelecido, a concessionária deverá apresentar o relatório financeiro em 17 de Janeiro de 2027 e concluir a candidatura ao novo aeroporto em Janeiro de 2028.
A concessionária prevê financiar o projecto em cerca de sete mil milhões de euros através da emissão de dívida e propõe um aumento progressivo das taxas aeroportuárias no Aeroporto Humberto Delgado entre 2026 e 2030.
No relatório preliminar, a ANA propôs ainda o prolongamento por mais 30 anos do contrato de concessão aeroportuária, até 2092, para assegurar o reembolso do investimento e a sustentabilidade económica da concessão, sem apoio financeiro público.
O contrato de concessão actualmente em vigor foi assinado em 2012 com a francesa Vinci por um período de 50 anos.


