Escola desactivada em Tagarro anima o debate político na reunião de câmara de Azambuja
PSD propôs transformar antigo estabelecimento de ensino num espaço desportivo e comunitário, mas ouviu o vice-presidente acusar a oposição de correr atrás de projectos já pensados. Discussão subiu de tom e PSD lançou suspeitas sobre conhecimento antecipado de propostas ao Orçamento Participativo.
Os ânimos aqueceram na última reunião do executivo da Câmara de Azambuja entre os vereadores do PSD, Margarida Lopes e Luís Benavente, e o vice-presidente da autarquia, o socialista António José Matos. Em causa esteve o futuro da desactivada Escola Básica de Tagarro e uma proposta dos sociais-democratas para transformar aquele imóvel num espaço desportivo, recreativo e comunitário.
A proposta, denominada “Tagarro Mais”, surgiu duas semanas depois de o PSD ter denunciado o estado de abandono do edifício. Margarida Lopes esclareceu que a iniciativa não pretende concorrer com os equipamentos desportivos já existentes naquela localidade da freguesia de Alcoentre, que classificou como fundamentais para a população, mas sim complementar a oferta e devolver utilidade a “património municipal que há demasiado tempo permanece abandonado”.
Para a antiga escola, que dispõe de um edifício e de um logradouro com cerca de 1.500 metros quadrados, o PSD propôs a sua reabilitação e a criação de condições para actividades desportivas, recreativas e comunitárias, incluindo campos de padel e de basquetebol, deixando ainda espaço para outras utilizações que venham a ser consideradas adequadas. A gestão deveria ser assegurada em cooperação entre o município, a Junta de Alcoentre e a Associação Desportiva e Cultural de Tagarro. “Recuperar um edifício abandonado, criar novas oportunidades para os jovens, reforçar a oferta desportiva e comunitária e dar nova vida a um espaço municipal não nos deve dividir, deve unir-nos”, defendeu Margarida Lopes.
“Tragam outras propostas, com ideias mais inovadoras”
A resposta do vice-presidente, António José Matos (PS), incendiou a discussão ao afirmar que o PSD estava a “correr atrás das ideias dos outros” e revelou que já tinha sido apresentada, no âmbito do Orçamento Participativo, uma candidatura para a instalação de um campo de padel naquele local. Disse ainda que o município já tinha realizado medições no terreno e estava a estudar a requalificação da escola para apoio a eventos familiares e comunitários. “Não precisamos que se venham apropriar das nossas ideias. Tragam outras propostas, com ideias mais inovadoras”, afirmou.
Margarida Lopes, que integra a comissão de avaliação do Orçamento Participativo, reagiu de imediato, dizendo ainda não ter recebido qualquer proposta para análise. Questionou como poderia o vice-presidente conhecer uma candidatura que ainda não tinha chegado à comissão e rejeitou que o PSD se tivesse apropriado de uma ideia alheia. Garantiu ainda que a proposta do PSD resultou de uma visita ao local e de conversas com habitantes de Tagarro.
António José Matos esclareceu que não teve acesso formal a qualquer candidatura e que soube informalmente, através de um munícipe, que este tinha apresentado um projecto. A explicação não convenceu nem travou críticas.
O vereador do PSD, Luís Benavente, considerou “muito grave” que o autarca socialista tivesse falado em “nossas ideias” quando o projecto teria, afinal, partido de um cidadão no âmbito do Orçamento Participativo. Questionou ainda se técnicos ou eleitos municipais se deslocaram ao local para avaliar uma candidatura antes da apreciação pela comissão competente. “Então temos um Orçamento Participativo com regras para quê? É só para inglês ver”, perguntou.
O vice-presidente voltou a acusar os sociais-democratas de falta de ideias e garantiu que a deslocação à escola não teve a ver com a candidatura. A proposta acabou rejeitada, com os votos contra dos três eleitos do PS e do vereador da CDU e os votos favoráveis dos dois vereadores do PSD e da vereadora do Chega.


