Mercado de Torres Novas a definhar com obras de fundo à espera de verba
Avarias nos equipamentos, cada vez menos vendedores e queixas voltaram a colocar o Mercado Municipal de Torres Novas no centro do debate político. Presidente da câmara admite que não há cabimento no orçamento deste ano para uma intervenção profunda, mas aponta solução para este mandato.
O Mercado Municipal de Torres Novas continua a perder vitalidade e a gerar queixas enquanto a prometida intervenção de fundo permanece sem calendário, financiamento ou projecto conhecido. O assunto foi levantado por Diogo Gomes, eleito do Bloco de Esquerda, na última sessão da Assembleia Municipal de Torres Novas, onde alertou para as avarias constantes nos equipamentos e para as dificuldades crescentes enfrentadas por quem ali trabalha.
“Levamos alguns meses deste mandato e não conhecemos nenhuma proposta para reverter este processo”, afirmou Diogo Gomes, salientando que o mercado municipal não é apenas um espaço comercial, mas também “um pólo de vida urbana e de identidade da cidade”. O eleito bloquista questionou o executivo sobre a existência de algum projecto para o edifício, lembrando que há cada vez menos vendedores e mais queixas.
Na resposta, o presidente da Câmara de Torres Novas, José Trincão Marques (PS), reconheceu que o actual orçamento municipal não dispõe de verba suficiente para uma intervenção profunda no mercado, que considerou uma “âncora para a cidade e para todo o concelho”. O autarca espera que o próximo documento orçamental já possa contemplar o início de uma solução, embora tenha deixado claro que qualquer intervenção terá de ser “estruturada, estratégica e bem pensada”.
O presidente da câmara justificou a ausência de financiamento com a necessidade de fazer escolhas entre os vários investimentos municipais. “No orçamento que passou não tínhamos sequer verba. Também não estica e temos de fazer opções de investimento”, reconheceu. As declarações surgem poucos meses depois de a reabilitação do mercado ter sido apresentada pelo próprio presidente como uma das obras previstas no orçamento municipal para 2026, mas apenas para trabalhos menores. Na altura, Trincão Marques afirmou que o edifício necessitava de uma “intervenção urgente”.
Promessas e projectos que não saem do papel
A degradação do Mercado Municipal de Torres Novas não é um problema recente. Em Fevereiro de 2023, vendedores ouvidos por O MIRANTE queixavam-se da falta de estacionamento, da desorganização das bancas, da ausência de manutenção, das infiltrações e das avarias recorrentes do elevador de carga. Alguns comerciantes afirmavam já nessa altura que o espaço estava esquecido e que as más condições afastavam clientes para mercados de concelhos vizinhos e para as grandes superfícies.
Em Março de 2024, vendedores e clientes voltaram a denunciar a perda de movimento, as bancas vazias, a falta de limpeza e de estacionamento e a necessidade de tornar o espaço mais moderno e apelativo. O então presidente da câmara, Pedro Ferreira, dizia que o projecto de requalificação estava a ser finalizado e manifestava esperança de iniciar a empreitada ainda nesse ano, desde que fosse encontrado financiamento comunitário. Dois meses depois, a autarquia falava numa grande intervenção estimada em cinco milhões de euros, continuando o projecto em preparação.
Já em 2025, a obra de fundo era apresentada como um investimento de aproximadamente dois milhões de euros, permanecendo igualmente na fase de projecto. Em Junho de 2025 foi adjudicada uma intervenção de beneficiação, longe da requalificação estrutural prometida, por 44.490 euros, destinada à pintura interior e exterior, reparação de infiltrações, substituição de vidros e conservação de revestimentos.


