Comerciantes do Carregado travam corte de rua e dizem não ter sido avisados
Empresários e comerciantes da Rua Arsénio da Assunção Carvalho, no Carregado, contestam o corte da estrada de acesso às suas empresas, na sequência das obras na Quinta da Mendanha. Os comerciantes dizem não ter sido informados pela Câmara de Alenquer da alteração ao projecto inicial e não permitiram o corte da via.
Os empresários e comerciantes da Rua Arsénio da Assunção Carvalho, no Carregado, foram surpreendidos na manhã de segunda-feira, 20 de Julho, com o início das obras que previam o corte da estrada de acesso às suas empresas. O projecto para a Estrada da Quinta da Mendanha já tinha sido aprovado pela Câmara de Alenquer no mandato anterior, mas, segundo os empresários, não previa o encerramento da Rua Arsénio da Assunção Carvalho. A contestação deu frutos e o fecho da via não se concretizou.
Segundo Carlos Matos, da empresa Móveis Matos, os proprietários da urbanização autorizaram a câmara a construir uma via para desviar o trânsito de viaturas pesadas do centro do Carregado, mas não a empreitada que agora arrancou. “Alteraram o projecto sem o nosso conhecimento. Temos que ter conhecimento das coisas que se fazem na urbanização. Isto é uma incompetência e impensável. Como é que os camiões fazem as manobras com a rua cortada?”, questionou.
Também Hélder Brilha, da empresa Mundagro, diz não ser viável o corte da rua devido ao movimento de camiões, semi-reboques e veículos ligeiros, defendendo que a alternativa passa por alterar a rotunda para permitir o acesso à urbanização ou, em alternativa, criar uma via de sentido único.
No mesmo sentido, Sofia Cardoso, funcionária da Menapeças, refere que não vai ser possível manter o negócio a funcionar com a rua cortada, uma vez que os camiões não têm margem para efectuar manobras de marcha-atrás. Os comerciantes chamaram a GNR, mas os militares disseram não ter competência para intervir.
Município estuda alternativas
O presidente da União de Freguesias de Carregado e Cadafais, Marco Coelho, também esteve no local e solicitou esclarecimentos à autarquia. Já o presidente da Câmara de Alenquer, João Nicolau, disse a O MIRANTE que as alternativas resultantes do encerramento da Rua Arsénio da Assunção Carvalho “não asseguram da melhor forma e em condições adequadas a circulação de veículos (alguns deles pesados) e o acesso regular às empresas e estabelecimentos daquela zona”. Por isso, garante que a autarquia “está a desenvolver esforços para se encontrar uma alternativa ao encerramento, estando em curso diligências junto da Infraestruturas de Portugal para que a solução seja reavaliada”.
De acordo com a Câmara de Alenquer, a proposta de encerramento foi formalmente remetida à IP em Maio de 2024, através de um ofício assinado pelo então vereador do Trânsito e Mobilidade, Tiago Pedro, actual vereador independente, tendo sido emitido parecer favorável condicionado à submissão do projecto de execução para a reformulação da geometria do ramo da rotunda da EN1.
Ou seja, o projecto prevê, em termos viários, o prolongamento da Rua Maria Perpétua Aço desde a Estrada da Mendanha até à rotunda da EN1, com o encerramento da ligação da Rua Arsénio da Assunção Carvalho a esta rotunda. “Até à presente data não houve alterações ao projecto inicial, que veio do anterior mandato, ainda que exista essa vontade por parte da autarquia”, reitera João Nicolau.
A obra está dividida em duas fases: Fase I, entre a EN1 e a linha de água; Fase II, entre a linha de água, incluindo a respectiva travessia, e a Estrada da Mendanha.


