Sociedade | 27-07-2026 10:00

Afogamentos disparam e casos na região reforçam alerta junto a rios e piscinas

Afogamentos disparam e casos na região reforçam alerta junto a rios e piscinas

Portugal registou 75 mortes em meio aquático até 30 de Junho, o pior primeiro semestre desde o início da série do Observatório do Afogamento, em 2017. No Ribatejo, onde não existe ainda um balanço público consolidado, duas mortes em piscinas particulares em Tomar e o resgate de uma mãe e dois filhos no Tejo, em Salvaterra de Magos, mostram que o perigo está à espreita.

Os dados da Federação Portuguesa de Nadadores-Salvadores revelam um agravamento no número de mortes em meio aquático. No mesmo período de 2025 tinham sido contabilizadas 62 mortes. Em 2026 há mais 13 vítimas, uma subida de cerca de 21%. Só no primeiro trimestre morreram 36 pessoas, mais 28,6% do que um ano antes. Rios e praias fluviais concentraram 47,2% dos casos e todas as mortes ocorreram em locais sem assistência a banhistas.
A realidade tem peso na região, atravessada por vários rios e marcada por praias fluviais, barragens, açudes e numerosas piscinas privadas. Em Tomar, duas mulheres morreram nos dias 12 e 13 de Junho em piscinas das suas habitações, na Fonte D. João e no Marmeleiro. Num dos casos foi admitida a suspeita de electrocussão durante a limpeza da piscina, seguida de queda na água, pelo que a classificação definitiva não foi confirmada. Em Salvaterra de Magos, a 1 de Julho, uma mulher e os dois filhos, de cerca de 10 e 12 anos, foram retirados do Tejo por populares na Praia Doce. A mãe e um dos menores foram transportados para o Hospital de Santarém, sem perigo de vida.
O relatório da Associação para a Promoção da Segurança Infantil reforça o alerta para os mais novos. Entre 2020 e 2024 morreram 63 crianças e jovens por afogamento e 57 foram internados. As piscinas estão sobretudo associadas às crianças até aos quatro anos, enquanto rios, ribeiras, lagoas e praias concentram mais casos entre os 10 e os 14 anos. Nas piscinas analisadas entre 2013 e 2025, 59% dos acidentes ocorreram em espaços particulares. Junho, Julho e Agosto concentram 60% dos casos conhecidos.

Comparação com 2025

O ano passado terminou com 142 mortes por afogamento em Portugal, mais 17,4% do que em 2024 e o terceiro pior resultado desde 2017. Entre crianças e jovens, a APSI identificou 33 ocorrências noticiadas em 2025, das quais 12 fatais. Em 2026, os 75 óbitos registados até Junho já superam em 21% o período homólogo.

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