Sociedade | 27-07-2026 07:00

Barquinha emite parecer desfavorável ao programa de zonas para energias renováveis

Barquinha emite parecer desfavorável ao programa de zonas para energias renováveis
Manuel Mourato, presidente da Câmara de Vila Nova da Barquinha

Câmara de Vila Nova da Barquinha emitiu parecer desfavorável à proposta do Programa Setorial das Zonas de Aceleração para as Energias Renováveis e critica pouco envolvimento dos municípios no prpcesso.

O município de Vila Nova da Barquinha emitiu parecer desfavorável no âmbito da consulta pública da proposta do Programa Setorial das Zonas de Aceleração para as Energias Renováveis (PSZAER). A autarquia liderada por Manuel Mourato (PS), considera que o documento, na sua actual redacção, não assegura o necessário equilíbrio entre os objectivos da transição energética e a salvaguarda dos valores territoriais, ambientais, paisagísticos e patrimoniais.
Em comunicado, a Câmara da Barquinha considera que a proposta “não demonstra de forma suficientemente clara os critérios que sustentam a delimitação das áreas propostas, a sua articulação com os instrumentos de gestão territorial em vigor, nem uma avaliação rigorosa da capacidade de carga dos territórios, dos impactes cumulativos decorrentes da instalação de infraestruturas e da capacidade efectiva de absorção da rede eléctrica”.
A autarquia diz ainda que “o processo de elaboração do PSZAER não garantiu uma participação atempada e efectiva dos municípios, desvalorizando o conhecimento que as autarquias detêm sobre as especificidades dos respectivos territórios e limitando o seu contributo para um instrumento com impactos significativos no ordenamento do território”.
Embora reconheça a importância da transição energética e da concretização das metas nacionais e europeias de descarbonização, bem como a necessidade de promover a produção de energia a partir de fontes renováveis, nomeadamente solar e eólica, o município de Vila Nova da Barquinha refere que também ao nível da monitorização e da governação, o documento revela insuficiências, não prevendo mecanismos robustos de acompanhamento e avaliação dos impactes, nem um modelo que assegure uma participação efectiva dos municípios na implementação e gestão das futuras Zonas de Aceleração para as Energias Renováveis.
“No caso de Vila Nova da Barquinha, estas preocupações assumem particular relevância, tendo em conta as características do concelho e o modelo de desenvolvimento que tem vindo a ser promovido, assente na valorização da paisagem, do património histórico e cultural, da biodiversidade e dos recursos naturais”, afirma a autarquia. E acrescenta que da análise realizada conclui que “a proposta não apresenta uma avaliação suficientemente aprofundada dos potenciais impactes sobre a paisagem do Vale do Tejo, sobre a estrutura ecológica municipal e sobre o enquadramento paisagístico do Castelo de Almourol, bem como dos restantes activos patrimoniais”.
E reforça que “é igualmente preocupante a ausência de uma análise integrada relativamente à crescente concentração de infraestruturas de produção de energia renovável na região do Médio Tejo, bem como a inexistência de mecanismos claros que assegurem uma repartição mais equilibrada dos benefícios económicos gerados por estes investimentos junto das comunidades locais”.
Por essa ordem de razões, o município considera “essencial que a proposta do PSZAER seja revista, reforçando a sua fundamentação técnica e territorial, promovendo uma efectiva articulação com os municípios e com os instrumentos de gestão territorial”. Defende igualmente que seja dada prioridade à instalação desse tipo de infraestruturas em áreas já artificializadas ou degradadas, reduzindo a pressão sobre os espaços agrícolas, florestais e ecologicamente sensíveis e garantindo que a aceleração da transição energética decorra de forma equilibrada, transparente e compatível com a proteção da paisagem, do património, dos recursos naturais e da qualidade de vida das populações.

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