Falta de empreiteiros atrasa reconstrução de Ferreira do Zêzere
Seis meses depois de a tempestade Kristin ter deixado prejuízos que podem atingir os 200 milhões de euros, Ferreira do Zêzere ainda tem estradas condicionadas, postes partidos, falhas nas telecomunicações e casas protegidas com lonas.
Seis meses depois da tempestade Kristin, Ferreira do Zêzere já ultrapassou a fase mais crítica da emergência, mas continua longe de ter o território totalmente recuperado. As festas “Viver Ferreira do Zêzere”, marcadas para 7, 8 e 9 de Agosto, são assumidas pela câmara como um momento de reencontro, apoio à economia local e confiança no futuro. A tempestade de 28 de Janeiro provocou prejuízos estimados entre 150 e 200 milhões de euros em habitações, empresas, floresta e infraestruturas. Só nos equipamentos e vias municipais os danos rondam três milhões de euros, tendo a autarquia recebido um adiantamento estatal de 1,4 milhões para as primeiras intervenções.
O município cancelou eventos, cortou cerca de 200 mil euros em iniciativas culturais e desportivas e redefiniu prioridades. Bruno Gomes, presidente da câmara, garante que tudo o que dependia do município foi feito, mas admite que persistem problemas que exigem a intervenção de outras entidades e maior resposta de empreiteiros. Continuam condicionados os acessos ao Lago Azul/Castanheira e entre Dornes e Vale Serrão, prosseguem obras em taludes e pavimentos e ainda há postes inclinados, cabos de telecomunicações no solo e árvores vergadas. Existem também habitações sem acesso regular a fibra óptica e televisão, além de casas protegidas com lonas por falta de mão de obra para as reparar antes do próximo inverno. Apesar das dificuldades e da pressão provocada por investimentos como a requalificação da Escola Pedro Ferreiro, o centro de saúde e oito fogos de habitação social, a câmara decidiu manter as festas, com um investimento superior a 200 mil euros. Bruno Gomes defende que o evento permitirá apoiar associações, comércio e restauração, sublinhando que grande parte da verba fica no concelho. “Temos de estar em comunidade e mostrar que a vida continua”, afirma o autarca, que vê no “Viver Ferreira do Zêzere” um símbolo da recuperação colectiva e da capacidade do concelho para enfrentar os efeitos da tempestade.


