Sociedade | 29-07-2026 12:00

Médio Tejo recebe reforço de 10 milhões mas fica aquém das prioridades do território

Médio Tejo recebe reforço de 10 milhões mas fica aquém das prioridades do território

Reprogramação do Centro 2030 aumenta para 131,76 milhões de euros a verba destinada aos 11 municípios do Médio Tejo. A maior fatia do reforço será aplicada na habitação social e acessível, embora a comunidade intermunicipal preferisse canalizar mais fundos para o abastecimento de água, saneamento e parques empresariais.

A Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo vai receber mais 10,1 milhões de euros no âmbito da reprogramação do Programa Centro 2030, aprovada pela Comissão Europeia. O reforço eleva de 121,66 para 131,76 milhões de euros a dotação contratualizada para os 11 municípios do território. A maior parte do dinheiro será destinada à habitação social e acessível. Segundo o primeiro-secretário executivo da CIM do Médio Tejo, Miguel Pombeiro, estas áreas beneficiam de um aumento situado entre os 13 e os 14 milhões de euros. O acréscimo é parcialmente compensado pela retirada de cerca de quatro milhões de euros de investimentos relacionados com a regeneração urbana e a refuncionalização de equipamentos.
A revisão dos contratos das Iniciativas Territoriais Integradas foi formalizada pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, na sequência da introdução de novas prioridades europeias nas áreas da habitação, defesa, gestão da água e competitividade. Além da habitação, a proteção civil do Médio Tejo recebe um reforço de aproximadamente um milhão de euros. A verba disponível para esta área encontrava-se praticamente esgotada, tendo sido realizados ainda pequenos ajustamentos noutras tipologias de investimento.
Apesar do aumento global, Miguel Pombeiro reconhece que a solução aprovada não corresponde às prioridades inicialmente defendidas pela comunidade intermunicipal. O Médio Tejo pretendia aplicar uma parte mais significativa do reforço em áreas como o abastecimento de água, o saneamento e a criação ou expansão de parques empresariais. “A posição do Médio Tejo sempre foi de que, se o reforço pudesse ir para outras áreas que não a habitação, era aquilo que preferíamos”, afirmou o responsável, citado pela agência Lusa. Os 10,1 milhões de euros não serão distribuídos antecipadamente pelos municípios, ficando disponíveis para os projectos que forem apresentados e aprovados. Na habitação social já está aberto um aviso com uma taxa de financiamento que pode atingir os 95%.
A situação é mais incerta na habitação acessível. O apoio a fundo perdido do Centro 2030 deverá corresponder a apenas 25% do investimento, desconhecendo-se ainda que outros mecanismos de financiamento serão disponibilizados pelo Estado. Miguel Pombeiro considera “impensável” que municípios da dimensão dos que integram o Médio Tejo consigam avançar com projectos de habitação suportando 75% do investimento. A CIM está também a executar um protocolo celebrado em 2023 com o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana, que prevê um investimento de 148,5 milhões de euros para criar mais de 1.100 habitações a custos acessíveis.
A taxa de execução desse programa situa-se actualmente entre os 40% e os 50%. A comunidade intermunicipal mantém a expectativa de concluir as operações até 2030, mas alerta para a necessidade de o IHRU acelerar os procedimentos de análise e aprovação dos projectos. No conjunto da região Centro, a revisão dos contratos aumentou de 907,3 para 982,6 milhões de euros a dotação das oito comunidades intermunicipais. A este acréscimo de 75,3 milhões juntam-se mecanismos extraordinários de financiamento no valor de 51 milhões, elevando para 126 milhões de euros o reforço global do investimento no Centro 2030. A CIM do Médio Tejo integra os municípios de Abrantes, Alcanena, Constância, Entroncamento, Ferreira do Zêzere, Mação, Ourém, Sardoal, Tomar, Torres Novas e Vila Nova da Barquinha.

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