Moradores da Estrada das Vagonetas exigem soluções para pó, ruído e camiões junto às casas
Buracos no pavimento, motores frigoríficos a trabalhar durante a noite e um parque de pesados descrito como degradado levaram residentes a confrontar o executivo de Benavente, que admite alterar os acessos.
O pó levantado pelos camiões impede os moradores de abrir as janelas, os motores frigoríficos perturbam o descanso e o mau estado da Estrada das Vagonetas, em Samora Correia, obriga os condutores a desviarem-se de crateras, colocando em risco automóveis e peões. As queixas foram apresentadas pelos moradores numa reunião da Câmara de Benavente, em que um deles ameaçou bloquear a passagem dos pesados caso não sejam encontradas soluções.
Paula Matos, moradora no número 9, centrou a intervenção no parque de pesados, instalado num espaço municipal cedido a uma associação sem fins lucrativos, e no troço situado depois do cruzamento da Murteira. Segundo afirma, a via encontra-se “muito insegura”, com buracos capazes de danificar veículos. “Para me desviar de um buraco que está no meio da estrada, tenho de ir para uma zona identificada como área pedestre e posso, inclusive, atropelar um peão”, alerta.
O pavimento do parque levanta pó à passagem dos camiões, impedindo os moradores de abrir as janelas. Paula Matos questionou ainda a segurança do estacionamento de veículos que transportam bilhas de gás, por não existir qualquer boca de incêndio visível, e o ruído dos motores frigoríficos junto às moradias. Refere já ter danificado o automóvel devido ao estado da estrada, queixando-se também da falta de limpeza das silvas e da velocidade de alguns motoristas.
Como solução imediata, sugere a reabertura do acesso junto ao cruzamento da Rua dos Bentos ou a criação de uma entrada pela Estrada da Murteira, evitando que os camiões percorram a Estrada das Vagonetas junto às casas. Pede ainda que os pesados estacionem na zona mais afastada das habitações, além da pavimentação do parque e da instalação de equipamentos sanitários adequados. O parque de pesados, segundo Paula Matos, parece “um aterro sanitário”, devido às precárias instalações sanitárias portáteis, paletes, carcaças de automóveis e outros materiais. Queixa-se ainda do barulho de motas a partir das 21h00.
Em declarações a O MIRANTE, José Vitorino, residente no número 7, lamenta que os camiões tenham deixado de utilizar a entrada junto à Rua dos Bentos, usada apenas durante duas ou três semanas. A alteração obriga os pesados a passar em frente às habitações. “Ponho-me com umas correntes no meio da estrada e não deixo os camiões passarem”, ameaça, defendendo que a situação tem de ser resolvida “o mais depressa possível”.
Obras previstas para breve e novo acesso ao parque
O vice-presidente da Câmara de Benavente, Paulo Sérgio Abreu, diz estar a par da situação e afirma que as obras na estrada estão para breve. A empreitada foi adjudicada por 799.702 euros, mais IVA, e tem um prazo de execução de 300 dias. A câmara suportará 662.567 euros e a empresa intermunicipal Águas do Ribatejo 137.135 euros.
Relativamente ao parque de pesados, o município já reuniu com a associação e está a estudar a criação de uma entrada pela Estrada da Murteira. A autarquia pondera igualmente transferir o estacionamento dos pesados para a zona mais próxima daquela via. Paulo Sérgio Abreu reconhece que existem situações de aspecto “menos digno” e afirma que a associação se mostrou disponível para retirar lixo, lonas e outros materiais. As instalações sanitárias portáteis também deverão ser removidas, tendo o autarca admitido a necessidade de disponibilizar casas de banho e balneários aos motoristas.
Quanto ao pó, o município está a avaliar que material poderá ser colocado no solo, uma vez que a circulação e a travagem dos camiões levantam partículas mesmo a baixa velocidade.


