Sociedade | 01-08-2026 07:00

Autocuidado ganha peso numa região onde faltam médicos de família

Autocuidado ganha peso numa região onde faltam médicos de família
Caminhar regularmente é uma das formas mais simples de cuidar da saúde - foto arquivo O MIRANTE

Quase oito em cada dez problemas de saúde ligeiros ficam resolvidos sem consulta médica, mas no Médio Tejo e na Lezíria do Tejo o autocuidado ganha uma dimensão particular: milhares de utentes continuam sem médico de família e o acesso aos cuidados de saúde primários permanece abaixo da média nacional.

Uma constipação, uma dor de cabeça ou o cansaço acumulado nem sempre justificam uma deslocação ao centro de saúde ou às urgências. O estudo “O Papel do Autocuidado em Portugal”, promovido pela APIFARMA, concluiu que 92% dos portugueses tiveram pelo menos um problema de saúde ligeiro no último ano e que 55% optaram pelo autocuidado como primeira resposta. Em 79% dos casos, a situação ficou resolvida e apenas 1% exigiu acompanhamento médico posterior. Os números mostram a importância de distinguir uma situação ligeira de um problema que exige avaliação clínica. Na região ribatejana, essa capacidade torna-se ainda mais relevante perante as dificuldades de acesso aos cuidados de proximidade. Dados da Entidade Reguladora da Saúde, noticiados por O MIRANTE, indicam que, em Dezembro de 2025, apenas 67,5% dos utentes da Unidade Local de Saúde do Médio Tejo tinham médico de família. Na Lezíria do Tejo, a cobertura era de 80,7%, também abaixo da média nacional de 85,3%.
A falta de médicos tem efeitos concretos. No Entroncamento, na mesma altura, cerca de 2.200 utentes continuavam sem clínico atribuído, obrigando a autarquia e a ULS Médio Tejo a procurar respostas complementares. As consultas presenciais nos centros de saúde também diminuíram entre 2024 e 2025 no Médio Tejo e na Lezíria do Tejo. É neste contexto que o autocuidado pode evitar deslocações desnecessárias, aliviar serviços pressionados e dar resposta a sintomas de curta duração. Mas não pode ser confundido com automedicação sem critério, nem servir de desculpa para substituir médicos, consultas ou acompanhamento regular de doenças crónicas, refere a instituição em comunicado.
A prevenção começa antes de aparecerem sintomas. Praticar actividade física, manter uma alimentação equilibrada, não fumar, moderar o consumo de álcool, cumprir os exames recomendados, dormir com regularidade e procurar ajuda perante sinais de sofrimento emocional são hábitos simples, mas decisivos. Fazer pausas durante o trabalho, reduzir o tempo de ecrã antes de dormir e preservar relações sociais também ajudam a proteger a saúde, adianta.
As farmácias assumem um papel de proximidade. Segundo o estudo, o aconselhamento farmacêutico esteve na origem da opção pelo autocuidado em 33% dos casos. São muitas vezes a primeira porta procurada por quem tem um problema ligeiro, sobretudo em localidades onde a resposta médica é mais difícil ou demorada.

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