Sociedade | 01-08-2026 12:00

Ribatejo está entre as regiões mais activas do país na dádiva de sangue

Ribatejo está entre as regiões mais activas do país na dádiva de sangue
Presidente do IPST esteve em Vila Franca de Xira onde acompanhou uma dádiva de sangue realizada pela Associação de Dadores da Póvoa de Sta. Iria - foto O MIRANTE

O Ribatejo concentra o maior número de associações de dadores de sangue do país. O elogio foi deixado pela presidente do Instituto Português do Sangue e da Transplantação durante uma recolha promovida pela Associação de Dadores Benévolos de Sangue da Póvoa de Santa Iria.

O Ribatejo é uma das regiões mais activas no que diz respeito às dádivas de sangue, sendo também a região do país com o maior número de associações de dadores. A garantia foi dada a O MIRANTE pela presidente do Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST), Maria Antónia Escoval, que visitou, no dia 18 de Julho, uma acção de recolha de sangue promovida pela Associação de Dadores Benévolos de Sangue da Póvoa de Santa Iria. “É uma região que está sempre presente e que constantemente solicita ainda mais locais para se realizarem sessões de colheita. Há uma maior sensibilização para a dádiva”, disse a responsável, alertando ainda para as grandes carências de sangue na região da Grande Lisboa.
Curiosamente, foi a primeira vez, desde que está no cargo, que foi convidada por uma associação, neste caso a Associação de Dadores da Póvoa de Santa Iria, para acompanhar uma acção de colheita. Habitualmente é convidada para ocasiões como aniversários das associações e, por isso, valorizou o convite. “A nossa presença é muito importante, quer junto dos dadores, porque acho importante que as pessoas sintam que nos preocupamos, quer junto dos profissionais. Os profissionais sentem-se cada vez mais sozinhos, porque são cada vez menos”, sublinhou.

Falta de recursos humanos e novos critérios
Uma das maiores dificuldades, segundo a presidente do IPST, é a falta de recursos humanos para responder, por exemplo, às sessões de colheita solicitadas por outras entidades. Maria Antónia Escoval explica que já pediu a abertura de concursos para tentar preencher o quadro de pessoal do instituto. Do lado das associações, uma das dificuldades passa pela captação de dirigentes associativos mais jovens e de voluntários para a causa.
Nos últimos dois anos, o número de dádivas de sangue diminuiu devido a múltiplos factores. “Principalmente o que diminuiu foi o número de dádivas por dador, que tem vindo a descer desde 2017, porque o número de dadores mantém-se mais ou menos constante”, explicou. Para tentar aumentar o número de candidatos aptos a doar sangue, o IPST reviu recentemente alguns critérios de selecção dos dadores, nomeadamente através do alargamento da idade máxima para a dádiva, que passou para os 70 anos. Maria Antónia Escoval explicou que Portugal procura aproximar-se das práticas adoptadas na maioria dos países europeus, numa altura em que o envelhecimento da população é uma realidade comum. A responsável referiu ainda que várias regras anteriormente implementadas por razões de segurança foram alvo de análises de risco e deixaram de se justificar.

Reservas de sangue descem no Verão
No Verão, o país volta a enfrentar a habitual redução das reservas de sangue. Segundo a presidente do IPST, a quebra começa todos os anos por volta de 15 de Julho, sendo mais sentida nos grupos sanguíneos mais prevalentes na população: A positivo, A negativo, O positivo e O negativo. Perante este cenário, o instituto apela à participação de todos os cidadãos que possam doar sangue, sejam dadores regulares ou pessoas que nunca tenham efectuado uma dádiva.
Os dados do IPST revelam também uma diminuição da participação dos grupos etários mais jovens, em particular entre os 18 e os 24 anos e entre os 35 e os 44 anos. Já a partir dos 45 anos, o número de dadores mantém-se estável e a participação aumenta proporcionalmente nas faixas etárias mais elevadas. Maria Antónia Escoval deixa uma mensagem directa aos mais jovens: “Dar sangue salva objectivamente vidas a muito curto prazo”. A responsável recorda que o instituto passou a informar os dadores quando a unidade de sangue é distribuída, uma medida que considera importante para sensibilizar a população para a importância deste gesto solidário.

António José Sequeira - foto O MIRANTE

“Dar sangue é ajudar o próximo”

António José Inácio Sequeira, residente em Vila Franca de Xira e natural do Brasil, completou 67 anos e voltou a dar sangue depois de ter interrompido as dádivas aos 65 anos, limite anteriormente estabelecido. A motivação para se tornar dador surgiu após o pai ter sofrido uma hemorragia grave provocada por uma úlcera. “Perdeu muito sangue e precisou de várias transfusões. Depois disso comecei a dar sangue”, recorda.
Ao longo dos anos, conciliou as dádivas com a vida profissional, apesar de períodos de interrupção devido aos horários por turnos e a problemas de saúde ocasionais. Actualmente, acompanha a actividade das associações de dadores e considera importante o envolvimento das gerações mais novas. “É uma boa atitude. Ajuda-se o próximo e um dia também podemos precisar”, afirma. Para António Sequeira, a solidariedade faz parte da sua filosofia de vida. “Tento sempre ajudar quem precisa. Dar sangue é uma forma de o fazer”, diz.

Manuel Alves - foto O MIRANTE

Um dador quase centenário

Manuel Alves, de 65 anos, é dador regular há várias décadas e pretende continuar a doar sangue até aos 70 anos, agora que as novas regras o permitem. A primeira dádiva aconteceu quando era bombeiro. Um colega precisava de ajuda para uma familiar e vários elementos da corporação juntaram-se para dar sangue. “Uma coisa levou à outra e fui-me habituando”, recorda.
Mais tarde integrou o então Grupo Humanitário de Sangue dos Bombeiros de Portugal, onde desempenhou funções dirigentes e participou em inúmeras campanhas de sensibilização. Com 97 dádivas efectuadas, espera atingir em Agosto a 98.ª. “Nunca tive um objectivo em número de dádivas. O objectivo é ajudar porque faz falta”, sublinha.
A mensagem que recebe actualmente do Instituto Português do Sangue e da Transplantação, informando que a sua dádiva foi utilizada, reforça a motivação. “Sabermos que o nosso sangue ajudou a salvar uma vida faz-nos sentir que estamos a fazer a coisa certa”, afirma.

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