Sociedade | 02-08-2026 10:00

Ribeira do Cartaxo transformada em esgoto a céu aberto

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foto ilustrativa

Maus cheiros intensos e descargas recorrentes estão a causar revolta entre moradores junto à Ribeira do Cartaxo. Câmara confirma que conhece o problema e promete voltar a pressionar a Cartágua, concessionária envolvida há vários anos em conflitos com o município.

Moradores do Cartaxo denunciam a poluição recorrente na Ribeira do Cartaxo, junto à oficina Ricopneu, alertando para a existência de maus cheiros intensos e para aquilo que classificam como um “esgoto a céu aberto”. O problema, que segundo os residentes se prolonga há várias semanas, foi também levado à última reunião do executivo municipal pela oposição. No local, O MIRANTE confirmou a existência de um odor intenso proveniente da linha de água. Os moradores garantem que a situação não é inédita e lamentam a ausência de uma resposta eficaz por parte das entidades responsáveis.
Manuel Carvalho, que reside nas proximidades, afirma que a ribeira “está constantemente poluída” e atribui o problema a descargas de esgotos provenientes do colector de Vila Chã de Ourique, onde, segundo refere, terá ocorrido recentemente uma ruptura. O munícipe garante que a situação se arrasta há cerca de um mês sem melhorias. “Já lá esteve um engenheiro da câmara que me disse que iam tratar da situação, mas até agora nada foi feito”, lamenta. Outros residentes recordam que, no passado, a ribeira era mais cuidada e tinha vida animal, nomeadamente sapos. Actualmente, dizem, a linha de água aparece frequentemente poluída e severamente obstruída por vegetação, agravando os maus cheiros e a sensação de abandono.
Contactados por O MIRANTE, o presidente da Câmara do Cartaxo, João Heitor, e o vice-presidente, Pedro Reis, confirmaram que receberam as denúncias dos munícipes. Os autarcas asseguram que vão contactar novamente a Cartágua e insistir junto da empresa até que o problema seja resolvido.

Litígio com a Cartágua sem novidades
O tema chegou também à última reunião de câmara, durante a intervenção do vereador do PS Ricardo Magalhães, que alertou para o “cheiro bastante putrefacto” proveniente da ribeira e questionou o presidente sobre o ponto de situação do litígio judicial entre o município e a Cartágua. João Heitor explicou que o processo instaurado pela concessionária em 2021 continua sem desenvolvimentos conhecidos. Acrescentou, no entanto, que persistem “uma série de outras questões, umas mais difíceis, outras menos”, entre o município e a empresa responsável pelos serviços municipais de abastecimento de água e saneamento. O presidente da câmara voltou ainda a acusar a Cartágua de incumprir o regulamento municipal nas intervenções realizadas na via pública. “Já enviámos dezenas de autos sobre esses temas e não vamos nunca deixar de defender os interesses do município e das pessoas”, garantiu.
Queixas repetem-se em vários pontos do concelho
Os problemas envolvendo a Cartágua têm sido recorrentes nos últimos anos. Em Abril, um morador de Casais Lagartos denunciou que continuava sem conseguir ligar a sua habitação à rede pública de saneamento devido, alegadamente, a um erro na instalação de uma caixa de esgoto pela concessionária. Na altura, João Heitor classificou a situação como “incompreensível” e comprometeu-se a acompanhar o caso. No final do ano passado, a revisão do tarifário da água para 2026 voltou também a evidenciar o conflito entre o município e a Cartágua, com a autarquia a contestar, pelo quarto ano consecutivo, a fórmula de cálculo apresentada pela empresa. A estes casos juntam-se as queixas frequentes de moradores sobre água amarelada, excesso de calcário e cortes no abastecimento, muitas vezes sem indicação sobre a hora prevista para a reposição do serviço.

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