Sociedade | 03-08-2026 12:04

12 anos depois, o médico Artur Barbosa continua vivo na memória colectiva da Chamusca

12 anos depois, o médico Artur Barbosa continua vivo na memória colectiva da Chamusca

O médico que nunca desligava o telemóvel e tratava os doentes como família faleceu a 2 de Agosto de 2014, aos 57 anos. Doze anos depois, a Chamusca continua a recordar um homem que fez da medicina um serviço permanente à comunidade.

Artur Barbosa morreu há 12 anos. Na Chamusca, o seu nome continua ligado à imagem de um médico disponível, bem-disposto e profundamente humano, que não olhava para o relógio quando alguém precisava de ajuda. Director da Unidade de Saúde Familiar da Chamusca e médico legista no gabinete médico-legal do Médio Tejo, dedicou quase três décadas ao concelho, onde chegou em 1986.
Natural da Ilha do Fogo, em Cabo Verde, nasceu em 1957 e veio para Santarém aos 17 anos para concluir o liceu. Entrou na Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa em 1976, fez estágio em Cascais e especializou-se em Medicina Geral e Familiar, área que escolheu por gostar de comunicar e de estar próximo das pessoas. Dizia que, num meio pequeno, os utentes passavam a ser quase família.
Essa proximidade não era uma frase feita. Raramente desligava o telemóvel e mantinha-se contactável fora do horário de trabalho. Não usava bata por considerar que criava distância. Defendia que, perante um idoso, o médico devia lembrar-se de que podia estar diante do próprio pai; perante uma criança, devia vê-la como um filho.
Sentiu-se mal a 25 de Julho de 2014, quando dava consultas no Centro de Saúde da Chamusca. Morreu dias depois, a 2 de Agosto, no Hospital de São José, em Lisboa. O funeral transformou-se numa manifestação colectiva de pesar, com uma multidão a acompanhar o cortejo entre a Igreja Matriz e o cemitério.
O MIRANTE distinguiu-o, a título póstumo, como “Memória de Uma Personalidade Singular”. Reconheceu-se um exemplo de cidadania e entrega aos outros. Artur Barbosa dizia que, se pudermos facilitar a vida às pessoas, devemos fazê-lo. Doze anos depois, essa frase explica por que razão a Chamusca não o esqueceu e a sua memória continua bem viva.

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