Sociedade | 04-08-2026 18:00

Aumentam acidentes com javalis que também deixam rasto de destruição na região

javali campo de milho
foto ilustrativa

Da A23, em Abrantes, à estrada entre a Azinhaga e a Golegã, os javalis já provocaram acidentes graves e sustos a automobilistas na região. Os animais aproximam-se cada vez mais das zonas urbanas, invadem campos agrícolas e são responsáveis por uma sinistralidade que tem aumentando e ultrapassa as mil colisões por ano.

O número de colisões rodoviárias com javalis, veados, corços e outros ungulados está a crescer de forma exponencial. Só nas estradas sob responsabilidade da Infraestruturas de Portugal foram registados mais de 140 incidentes em 2025, quando até 2015 o número anual se mantinha abaixo das duas dezenas.

Desde 2010, a empresa contabilizou 856 colisões com estes animais, sendo o javali responsável por 762 casos. Os números reais serão, no entanto, muito superiores, uma vez que ficam de fora as estradas municipais e outras vias que não estão sob gestão da Infraestruturas de Portugal. Carlos Fonseca, investigador da Universidade de Aveiro, admite que já são registadas mais de mil colisões por ano em todo o país.

A região ribatejana conhece há muito os riscos da presença de javalis nas estradas. Em Dezembro de 2014, cinco automóveis atropelaram quatro javalis na A23, na zona de Abrantes, depois de os animais terem rompido a vedação e invadido a faixa de rodagem. Desses acidentes não resultaram feridos, mas tal como O MIRANTE noticiou, em Novembro de 1999, uma jovem de 28 anos, técnica do departamento de Cultura da Câmara de Santarém, morreu depois de um javali se ter atravessado à frente do seu automóvel na A1, na zona do Carregado. A Brisa acabou condenada a pagar uma idemnização aos pais da jovem por falta de segurança nas vedações.

Em Novembro de 2017, um casal de Vialonga que seguia para a Feira Nacional do Cavalo foi surpreendido por vários javalis na estrada entre a Azinhaga e a Golegã. A viatura embateu num dos animais, despistou-se e caiu numa vala. O acidente provocou apenas danos materiais, mas foi a ocorrência mais grave registada pela GNR durante essa edição da feira.

Além de estarem envolvidos em acidentes, estes animais, sobretudo os javalis têm-se aproximado mais das localizades com prejuízos crescentes na agricultura. Em Abrantes, recorde-se, foram autorizadas acções extraordinárias para reduzir uma população que surge com frequência junto a áreas urbanas e destrói colheitas. Em Santarém, a câmara apoiou financeiramente associações de caçadores de Achete e Azoia de Cima para realizarem montarias de controlo da espécie. Também em Arruda dos Vinhos os javalis chegaram aos parques, jardins e passeios das localidades, obrigando o município a promover batidas em articulação com associações de caçadores.

A expansão da espécie, a facilidade com que encontra alimento e abrigo e a diminuição do número de caçadores activos estão entre as causas apontadas para o agravamento do problema. O Governo estima que os prejuízos provocados pelos javalis só na cultura do milho ultrapassem oito milhões de euros por ano.

O projecto “Impacto”, promovido pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas e desenvolvido cientificamente pela Universidade de Aveiro, pretende agora conhecer melhor a dimensão das populações e testar medidas para reduzir os acidentes e os prejuízos agrícolas. Está também previsto para o último trimestre do ano o lançamento de apoios destinados à protecção das culturas.

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