Sociedade | 04-08-2026 08:35

Queda de 30% no preço da cortiça ameaça futuro do montado na Companhia das Lezírias

Queda de 30% no preço da cortiça ameaça futuro do montado na Companhia das Lezírias

Campanha terminou com 780 toneladas extraídas, mas a quebra acentuada do valor pago aos produtores está a colocar em risco a rentabilidade de uma actividade essencial para a economia rural e para a preservação de um dos ecossistemas mais valiosos do país.

A Companhia das Lezírias terminou a campanha de extracção de cortiça com uma produção ligeiramente superior ao previsto, mas os bons resultados no terreno contrastam com a crescente preocupação em relação ao preço pago à produção, que caiu mais de 30% nos últimos dois anos. O presidente do Conselho de Administração da empresa pública, Eduardo Oliveira e Sousa, alerta que a desvalorização pode comprometer a sustentabilidade económica do sector e colocar em risco a conservação do montado de sobro. A extracção começou em meados de Junho e terminou na sexta-feira, 31 de Julho, com cerca de 780 toneladas de cortiça retiradas, o equivalente a aproximadamente 52 mil arrobas. O volume ficou em linha com o alcançado em 2025 e, depois da secagem, a Companhia das Lezírias prevê comercializar entre 44 mil e 45 mil arrobas. A venda está garantida através de um contrato previamente estabelecido, seguindo-se as operações de pesagem, selecção e transporte.
“A cortiça veio bem, as árvores tiveram cortiça e a obtenção do produto foi bastante bem conseguida”, afirmou Eduardo Oliveira e Sousa. O problema, sublinha, está na vertente económica. A cortiça representa mais de 10% dos proveitos anuais da Companhia das Lezírias, já depois de descontados os custos de produção, mas a quebra dos preços está a reduzir significativamente a margem dos produtores. O responsável aponta três razões para a descida: a diminuição do consumo de vinho e da procura de rolhas naturais, os avanços tecnológicos que permitem fabricar rolhas de qualidade com cortiça de menor valor e a concentração das empresas da indústria transformadora. A conjugação destes factores está a pressionar excessivamente o preço na origem.
Eduardo Oliveira e Sousa defende que o Governo deve criar mecanismos de apoio aos produtores florestais, à semelhança das ajudas atribuídas pela Política Agrícola Comum a várias actividades agrícolas. Sem rendimento, alerta, os proprietários podem perder interesse na gestão e manutenção dos sobreiros. Para além do valor económico, o presidente da Companhia das Lezírias recorda que o montado conserva a biodiversidade, retém humidade nos solos, regula a temperatura e captura dióxido de carbono. “É muito importante que o Governo olhe para este enorme valor ambiental que é o montado de sobro”, concluiu.

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