Sociedade | 05-08-2026 10:18

Intervenção ilegal destruiu margens da Ribeira de Alcolobre

Intervenção ilegal destruiu margens da Ribeira de Alcolobre

Trabalhos de grande dimensão avançaram sem licença da Agência Portuguesa do Ambiente e sem conhecimento das câmaras de Abrantes e Constância. Autarquia alerta para danos na vegetação, no percurso pedestre e na paisagem e exige a recuperação da linha de água.

Uma intervenção realizada num troço da Ribeira de Alcolobre, entre os concelhos de Abrantes e Constância, avançou sem licenciamento da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e sem conhecimento prévio das autarquias. Os trabalhos, visíveis a partir da Estrada Nacional 118, transformaram profundamente cerca de 300 metros da linha de água e provocaram críticas pela dimensão e pelos impactos ambientais.
O presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, revelou que o município foi alertado para uma operação com “robustez” e um impacto visual muito significativo, tendo contactado de imediato a APA. A autoridade ambiental informou a autarquia de que não existia qualquer processo de licenciamento para os trabalhos realizados. A intervenção decorreu a jusante da EN118, entre Tramagal e Santa Margarida da Coutada, e incluiu desassoreamento, reforço das motas de protecção e remoção praticamente total da vegetação das margens. A alteração repentina da paisagem surpreendeu moradores e automobilistas e gerou polémica nas redes sociais.
As câmaras de Abrantes e Constância e as juntas de freguesia locais afirmaram não ter sido previamente informadas. O presidente da Junta de Tramagal indicou que os trabalhos poderão estar associados à instalação de um olival intensivo numa propriedade agrícola recentemente adquirida, embora desconheça o respectivo enquadramento legal. O assunto chegou à reunião do executivo municipal de Abrantes, onde o vereador do PSD João Morgado questionou a maioria socialista. Manuel Jorge Valamatos esclareceu que existe um processo relacionado com uma exploração agrícola, mas garantiu que esse procedimento nada tem a ver com a intervenção efectuada na ribeira. O vice-presidente da câmara, João Gomes, responsável pelo Ambiente, afirmou que a APA realizou uma fiscalização no local e que a informação transmitida aponta para o levantamento de autos de contra-ordenação e para a imposição de um programa de recuperação. Segundo o autarca, não se tratou de uma simples limpeza, mas de uma intervenção que danificou a galeria ripícola, a envolvente da ribeira, parte de um percurso pedestre e a respectiva sinalética. “Há uma coisa que já não podemos voltar atrás: os danos estão feitos”, afirmou, defendendo que a prioridade passa agora pela recuperação ambiental daquele troço. A empresa promotora do investimento agrícola recusou prestar esclarecimentos.

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