Museu de Coruche continua de portas fechadas desde as cheias do último Inverno
Um dos sinos mais antigos de Portugal continua longe dos visitantes em Coruche, porque o museu municipal onde está exposto permanece encerrado desde as inundações de Fevereiro. E a câmara não garante a reabertura antes das Festas em Honra de Nossa Senhora do Castelo. Oposição critica a indisponibilidade do equipamento numa época de grande afluência ao concelho.
O sino medieval de Coruche, datado de 1287 e considerado um dos mais antigos de Portugal, continua inacessível aos visitantes devido ao encerramento do Museu Municipal, cuja reabertura poderá não acontecer antes das festas de Agosto. A peça, descoberta numa cripta-ossário junto à Igreja de São Pedro, é um dos principais testemunhos históricos preservados no equipamento cultural, que está fechado ao público desde as inundações ocorridas em Fevereiro.
Com apenas 30 centímetros de altura e 22 centímetros de diâmetro na boca, o sino apresenta uma asa singela, cinco conjuntos de cordões decorativos e inscrições simbólicas, entre as quais uma cruz e um pentagrama associado à boa sorte e à protecção. No Museu Municipal era também possível ouvir uma reprodução virtual do som produzido pelo sino medieval.
A Câmara de Coruche não garante, contudo, que o espaço possa reabrir antes das Festas em Honra de Nossa Senhora do Castelo, em Agosto próximo, devido à dimensão da intervenção necessária para recuperar a zona expositiva do rés-do-chão, afectada pela entrada de água. A vereadora Susana Cruz (PS) explicou que está a decorrer o procedimento de contratação para a requalificação daquele piso. “Não garantimos que esteja aberto por altura das festas”, afirmou a autarca, acrescentando que a intervenção é “relativamente grande” e visa repor o espaço expositivo que existia antes dos estragos.
Segundo Susana Cruz, a exposição instalada no primeiro piso reúne condições para ser visitada, mas a autarquia optou por não abrir parcialmente o museu enquanto o rés-do-chão permanecer sem condições de visitação. “A visita pode ser feita, mas só até determinado período histórico”, referiu a vereadora, explicando que a indisponibilidade do piso térreo impede a realização integral do percurso expositivo.
O encerramento do espaço motivou um pedido de esclarecimentos do vereador Dionísio Mendes, eleito pelo movimento independente Volta Coruche/25, que manifestou preocupação com a ausência de informação sobre a data prevista para a reabertura. O eleito recordou que o edifício foi recentemente disponibilizado para acolher pessoas durante uma vaga de calor, apesar de continuar interdito às visitas desde que sofreu danos provocados pela entrada de água.
Na perspectiva do movimento independente, a manutenção do Museu Municipal encerrado representa uma perda significativa para a oferta cultural do concelho e impede os visitantes de conhecerem uma parte importante do património e da identidade de Coruche.
Localizado no centro histórico da vila, junto ao rio Sorraia, o Museu Municipal de Coruche foi inaugurado em 2001 e integra, desde 2002, a Rede Portuguesa de Museus. Quando ocorreram as cheias, estava patente a exposição “Coruche: o Céu, a Terra e os Homens”, que percorre a história do território desde a Pré-História até à actualidade, tendo como fio condutor a relação das comunidades locais com o sagrado.


