Sociedade | 06-08-2026 15:45

Quase seis em cada dez praias ainda apresentam défice de areia após tempestades

Quase seis em cada dez praias ainda apresentam défice de areia após tempestades
Praias de Abrantes voltam a afirmar-se como pólos de lazer do concelho - foto arquivo O MIRANTE

APA monitorizou 27 praias da costa portuguesa e concluiu que a recuperação natural está a decorrer de forma gradual e desigual. Praias fluviais da região ficam fora da avaliação.

As praias portuguesas demonstram uma capacidade significativa de recuperação natural após os episódios de mau tempo, embora quase seis em cada dez dos areais analisados ainda apresentem valores de largura e de volume de areia inferiores às médias históricas.
A conclusão consta de um novo relatório da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), divulgado esta quinta-feira, 6 de Agosto, que avalia os efeitos das tempestades registadas durante o inverno marítimo de 2025/2026 e a evolução das praias nos meses seguintes.
Foram analisadas 27 praias de Portugal continental, 19 localizadas na costa ocidental e oito na costa sul do Algarve. O trabalho recorreu a levantamentos topográficos realizados antes e depois das tempestades, comparados também com as séries históricas disponíveis.
Segundo a APA, cerca de 41% das praias monitorizadas já recuperaram ou ultrapassaram os valores médios históricos de largura do areal e de volume sedimentar. As restantes 59% continuam abaixo dessas referências, mantendo défices de areia.
Nas praias onde foi possível medir directamente as perdas provocadas pelas tempestades, entre 35% e 41% recuperaram integralmente ou ultrapassaram os valores anteriores, consoante o indicador analisado. Cerca de 47% apresentaram uma recuperação parcial da largura e 41% uma recuperação parcial do volume de areia.
Um grupo mais reduzido, correspondente a 18% das praias, continuava a apresentar sinais de erosão ou uma recuperação morfológica considerada insuficiente.
Recuperação mais lenta no Algarve
Nas praias da costa sul do Algarve avaliadas apenas através da comparação entre a situação anterior às tempestades e o levantamento mais recente, a recuperação ainda se apresentava limitada.
A APA explica que esse resultado poderá estar relacionado com o curto período decorrido entre o fim dos episódios de maior agitação marítima e a realização dos trabalhos de campo. A agência considera provável que entretanto tenha ocorrido uma recuperação adicional dos areais.
O relatório conclui que a reposição natural da areia acontece de forma gradual e irregular, variando entre praias e dependendo das condições do mar, da disponibilidade de sedimentos e das características de cada sistema costeiro.
O facto de algumas praias ainda não terem regressado à situação anterior às tempestades não representa necessariamente uma anomalia, sublinha a APA, uma vez que determinados areais podem necessitar de períodos mais prolongados para recuperar o equilíbrio sedimentar.
Praias fluviais da região ficam fora da avaliação
O estudo não inclui qualquer praia do distrito de Santarém nem dos concelhos da área de abrangência de O MIRANTE. A monitorização incidiu exclusivamente sobre a faixa costeira marítima de Portugal continental, não abrangendo praias fluviais como as existentes nos concelhos de Ourém, Abrantes, Ferreira do Zêzere, Tomar ou outros municípios do Médio Tejo e da Lezíria.
A APA considera que a continuidade da monitorização costeira é essencial para avaliar riscos, definir prioridades de intervenção e fundamentar investimentos públicos, sobretudo perante o défice generalizado de sedimentos existente no litoral e o previsível agravamento dos efeitos das alterações climáticas.

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