Sociedade | 06-08-2026 21:00

Radar Social de Santarém sinaliza 563 agregados familiares a necessitarem de apoio

Radar Social de Santarém sinaliza 563 agregados familiares a necessitarem de apoio
A insuficiência de rendimentos para fazer face às despesas correntes é a principal fragilidade detectada pelo estudo do Radar Social de Santarém - foto arquivo O MIRANTE

O projecto Radar Social, promovido pela Câmara de Santarém, permitiu identificar um conjunto expressivo de agregados em situação de fragilidade económica e com outras vulnerabilidades. O estudo aponta claramente para o reforço do apoio domiciliário, o combate à pobreza e ao isolamento.

As dificuldades económicas assumem a maior expressão entre as problemáticas identificadas no Relatório Final de Avaliação do projecto Radar Social, promovido pela Câmara de Santarém. Um estudo baseado em 1921 inquéritos realizados à população do concelho, envolvendo todas as freguesias e faixas etárias, e que permitiu identificar um conjunto expressivo de agregados em situação de fragilidade. Os resultados revelam que uma em cada três pessoas inquiridas apresenta fragilidades susceptíveis de justificar acompanhamento ou intervenção social.
“As dificuldades associadas à insuficiência de rendimentos, à limitação da capacidade financeira para fazer face às despesas correntes e ao aumento dos custos associados à habitação, energia, alimentação e saúde surgem como factores centrais de risco social, condicionando a qualidade de vida e potenciando a acumulação de outras vulnerabilidades”, lê-se no estudo, que foi totalmente financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência.
Esse trabalho de campo permitiu à rede social sinalizar 563 agregados familiares e 535 deles já estão devidamente encaminhados, informou a vereadora do Desenvolvimento Social, Teresa Ferreira, na reunião de câmara onde o assunto foi abordado. A autarca referiu que o Radar Social é um instrumento importante na identificação de casos e no direccionamento de respostas sociais, sublinhando que o documento aponta claramente para o reforço do apoio domiciliário, o combate à pobreza e ao isolamento.
O mesmo documento assinala que a dimensão da saúde constitui igualmente uma preocupação relevante. “A prevalência de doenças crónicas, limitações físicas e situações de dependência funcional traduz-se numa procura crescente de apoio para a realização das actividades da vida diárias” sobretudo nas faixas etárias mais velhas, em que se situa a maior parte dos inquiridos. As necessidades mais frequentemente identificadas prendem-se com tarefas domésticas, tratamento de roupas, higiene habitacional, preparação de refeições, mobilidade e gestão da medicação, evidenciando a importância do reforço de respostas de apoio domiciliário e de promoção da autonomia.

Isolamento social e solidão
A análise das condições habitacionais revelou a existência de agregados que enfrentam dificuldades relacionadas com a degradação da habitação, insuficiência de conforto térmico, barreiras arquitectónicas e inadequação das condições físicas às necessidades dos residentes, particularmente em situações de envelhecimento ou dependência. Estas fragilidades assumem especial relevância em contextos rurais e em habitações mais antigas.
Ao nível das redes de apoio, verificou-se que a família nuclear continua a constituir o principal recurso mobilizado pela população em situações de necessidade. Os resultados revelam ainda a presença de fenómenos de isolamento social e solidão com significado social relevante. O estudo revela que embora a maioria da população inquirida diga não se sentir sozinha, cerca de um sexto dos participantes assume experienciar sentimentos de solidão.
No que respeita à procura de apoio institucional, a maioria dos inquiridos declarou não necessitar de recorrer a respostas sociais formais. Contudo, entre aqueles que identificam necessidades, destacam-se respostas dirigidas à infância, à população idosa, à deficiência, à dependência e ao apoio domiciliário.

População adulta e envelhecida predomina

Entre os 1921 inquiridos, predomina a população adulta e envelhecida, registando-se maior representatividade das mulheres em praticamente todos os escalões etários considerados. No total da população abrangida pelo Radar Social, verifica-se uma concentração significativa de pessoas na faixa etária dos 68 e mais anos em ambos os géneros, sendo que os inquiridos com 50 ou mais anos representam cerca de três quartos da população inquirida, evidenciando o peso estrutural do envelhecimento na composição da amostra. “A estrutura etária do concelho caracteriza-se por um peso significativo da população adulta e idosa, realidade que se reflectiu igualmente nos resultados obtidos pelo Projeto Radar Social”, explica-se no documento.

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