Cinco concelhos da região somam oito anos de incêndios com impacto territorial extremo
Alenquer, Santarém e Ourém concentram o maior número médio de incêndios, mas é no norte do distrito de Santarém que o fogo deixa as marcas mais profundas. Ourém, Mação, Abrantes, Ferreira do Zêzere e Tomar somam vários anos em que as chamas consumiram mais de 5% do território municipal, confirmando que o número de ocorrências nem sempre traduz a verdadeira dimensão do risco.
Segundo dados da Pordata revelados recentemente os municípios da região ribatejana com mais incêndios nem sempre são aqueles onde as chamas atingem maior dimensão territorial. A soma das médias municipais aponta para cerca de 828 incêndios por ano entre 2015 e 2024, correspondendo a uma média de 37,6 ocorrências por concelho, abaixo dos 43,8 registados pelo conjunto dos municípios do Continente. A marca dos grandes fogos, porém, concentra-se sobretudo no norte do distrito de Santarém.
Alenquer surge no topo da lista, com uma média anual de 103,3 incêndios, seguido de Santarém, com 84,2, Ourém, com 79,6, Tomar, com 75,8, Abrantes, com 63, Azambuja, com 57,3, e Benavente, com 47,4. São os sete concelhos analisados que ficam acima da média dos municípios do Continente. Estes dados mostram uma pressão elevada em territórios muito diferentes entre si, desde concelhos extensos e com forte presença florestal até zonas mais urbanizadas e atravessadas por importantes eixos rodoviários. Abaixo da média aparecem Salvaterra de Magos, com 37,9 incêndios, Torres Novas, com 36,5, Vila Franca de Xira, com 33,8, Rio Maior, com 31,5, Arruda dos Vinhos, com 29,8, Alcanena, com 27,6, e Almeirim, com 23,4. Seguem-se Chamusca, com 17, Alpiarça, com 15,3, Sardoal, com 14,3, Ferreira do Zêzere, com 13,7, Mação, com 13,3, Constância, com 9,6, Entroncamento, com 7,3, e Vila Nova da Barquinha, que apresenta a média mais baixa, com 6,3 incêndios por ano
Médio Tejo com contraste especialmente vincado
Ourém e Tomar estão entre os quatro concelhos com maior média anual de incêndios, enquanto Abrantes ocupa a quinta posição do conjunto analisado. No extremo oposto, Vila Nova da Barquinha, Entroncamento e Constância apresentam as médias mais baixas. Mação, Ferreira do Zêzere e Sardoal também registam poucos incêndios em termos comparativos, mas essa menor frequência não significa necessariamente menor perigosidade quando o fogo ganha dimensão. A quantidade de ocorrências não traduz por si só a gravidade da área ardida. Ourém é o caso mais preocupante entre os concelhos analisados: em três dos últimos 15 anos, o fogo consumiu mais de 5% de todo o território municipal. Mação registou dois anos acima desse limiar. Abrantes, Ferreira do Zêzere e Tomar tiveram, cada um, um ano em que a área ardida ultrapassou 5% do concelho. Em conjunto, estes cinco municípios somam oito anos de episódios de grande dimensão territorial.
Os dados da Pordata apresentam a média de incêndios para o período de 2015 a 2024 e contabiliza, para a área ardida, o número de anos dos últimos 15 em que as chamas ultrapassaram 5% da superfície municipal. A página identifica 2022 como ano de referência da secção, embora os períodos explicitados nos indicadores sejam diferentes. Os dados têm como fonte o Instituto Nacional de Estatística.


