Comerciantes da Póvoa de Santa Iria temem impacto do estacionamento pago no comércio local
A consulta pública ao novo Regulamento Municipal de Mobilidade e Estacionamento no concelho de Vila Franca de Xira terminou com 417 participações. Na Póvoa de Santa Iria, comerciantes defendem que o estacionamento pago pode afastar clientes e agravar os problemas de estacionamento.
A proposta de Regulamento Municipal de Mobilidade e Estacionamento, que a Câmara de Vila Franca de Xira enviou para consulta pública e que prevê a expansão do estacionamento tarifado e a criação de novas regras para residentes, empresas e utilizadores ocasionais, contou com 417 participações. A informação foi avançada a O MIRANTE pelo município, que está agora a analisar os contributos enviados no âmbito da consulta pública, que terminou a 16 de Julho.
Algumas das áreas abrangidas pelo estacionamento tarifado são a zona antiga da Póvoa de Santa Iria e junto à Quinta da Piedade, o que não agrada aos comerciantes, como é o caso de Jorge Feliciano, sócio-gerente da Agência de Seguros Feliciano, localizada na zona antiga. “Há mais de dez anos que existem lugares de estacionamento com a placa a dizer que é proibido estacionar para além dos 30 minutos. Mas não há rotatividade porque deixam aqui o carro o dia todo. Tenho clientes que me dizem que não vêm aqui e preferem ir ao Casal da Serra, porque já foram multados por estarem em segunda fila. Quem está o dia todo nos lugares dos 30 minutos não é multado”, lamenta.
Jorge Feliciano considera ainda que, se a preocupação for o comércio tradicional, a solução não passa pelos parquímetros, porque vão afastar ainda mais as pessoas, que passarão a deslocar-se para outros locais onde o estacionamento é gratuito. “Eu concordo que haja zonas com parquímetros, mas não para os moradores e comerciantes da Póvoa Velha, que não podem ser penalizados por viverem aqui. É absurdo”, sublinha.
Estacionamento pago só depois de esgotadas outras medidas
Nuno Dias, da Autobigodes, considera que devem ser estudadas outras soluções antes de se avançar para o estacionamento pago. “Faz sentido em cidades como Lisboa ou Sintra, que têm muito movimento durante o dia e comércio, mas não na Póvoa. Percebo que queiram que as pessoas utilizem mais os transportes públicos para reduzir o número de carros, mas que alternativas temos? O que temos em troca para não levar o carro à porta do comércio? Porque, sendo pago, as pessoas vão para outros estabelecimentos”, defende. O empresário questiona ainda o destino das receitas provenientes do estacionamento tarifado. “Pergunto para onde vão as verbas? Vão para a freguesia, para a câmara ou para uma empresa? Não se pode criar também uma polícia municipal ou fazer mais estacionamentos? Tenho muitas dúvidas”, afirmou.
Fernando Barrinho, presidente da direcção da ACAPSI – Associação Cultural Avieiros da Póvoa de Santa Iria, também não concorda com o estacionamento pago e considera que um dos principais problemas da Póvoa deve-se aos carros abandonados e ao estacionamento abusivo, com viaturas estacionadas das 7h00 às 19h00 por pessoas que vão apanhar o comboio. “O estacionamento pago é a última solução, depois de esgotadas todas as outras medidas. Até porque, na Póvoa velha, vivem pessoas já com uma certa idade e o que querem é uma ponte pedonal sobre a linha do comboio”, diz.
Recorde-se que a proposta, aprovada em reunião de câmara, cria quatro zonas distintas — vermelha, amarela, verde e azul — com diferentes tempos máximos de permanência e tarifas. Nas áreas de maior pressão automóvel, classificadas como zona vermelha, o estacionamento ficará limitado a duas horas e terá um custo máximo previsto de 3,20 euros. Já as zonas amarela e verde terão permanência máxima de quatro horas, com um custo de quatro euros pelas quatro horas na zona amarela e um máximo de 2,40 euros na zona verde. A zona azul será orientada para estacionamento prolongado e bilhetes diários, com um custo até um euro. O regulamento introduz ainda a possibilidade de atribuição de dísticos de residente e de empresa, com limites por fogo e por estabelecimento, excluindo ambos da zona vermelha.


