Sociedade | 08-08-2026 21:00

Comerciantes da Póvoa de Santa Iria temem impacto do estacionamento pago no comércio local

Comerciantes da Póvoa de Santa Iria temem impacto do estacionamento pago no comércio local
Jorge Feliciano, Nuno Dias e Fernando Barrinho

A consulta pública ao novo Regulamento Municipal de Mobilidade e Estacionamento no concelho de Vila Franca de Xira terminou com 417 participações. Na Póvoa de Santa Iria, comerciantes defendem que o estacionamento pago pode afastar clientes e agravar os problemas de estacionamento.

A proposta de Regulamento Municipal de Mobilidade e Estacionamento, que a Câmara de Vila Franca de Xira enviou para consulta pública e que prevê a expansão do estacionamento tarifado e a criação de novas regras para residentes, empresas e utilizadores ocasionais, contou com 417 participações. A informação foi avançada a O MIRANTE pelo município, que está agora a analisar os contributos enviados no âmbito da consulta pública, que terminou a 16 de Julho.
Algumas das áreas abrangidas pelo estacionamento tarifado são a zona antiga da Póvoa de Santa Iria e junto à Quinta da Piedade, o que não agrada aos comerciantes, como é o caso de Jorge Feliciano, sócio-gerente da Agência de Seguros Feliciano, localizada na zona antiga. “Há mais de dez anos que existem lugares de estacionamento com a placa a dizer que é proibido estacionar para além dos 30 minutos. Mas não há rotatividade porque deixam aqui o carro o dia todo. Tenho clientes que me dizem que não vêm aqui e preferem ir ao Casal da Serra, porque já foram multados por estarem em segunda fila. Quem está o dia todo nos lugares dos 30 minutos não é multado”, lamenta.
Jorge Feliciano considera ainda que, se a preocupação for o comércio tradicional, a solução não passa pelos parquímetros, porque vão afastar ainda mais as pessoas, que passarão a deslocar-se para outros locais onde o estacionamento é gratuito. “Eu concordo que haja zonas com parquímetros, mas não para os moradores e comerciantes da Póvoa Velha, que não podem ser penalizados por viverem aqui. É absurdo”, sublinha.

Estacionamento pago só depois de esgotadas outras medidas
Nuno Dias, da Autobigodes, considera que devem ser estudadas outras soluções antes de se avançar para o estacionamento pago. “Faz sentido em cidades como Lisboa ou Sintra, que têm muito movimento durante o dia e comércio, mas não na Póvoa. Percebo que queiram que as pessoas utilizem mais os transportes públicos para reduzir o número de carros, mas que alternativas temos? O que temos em troca para não levar o carro à porta do comércio? Porque, sendo pago, as pessoas vão para outros estabelecimentos”, defende. O empresário questiona ainda o destino das receitas provenientes do estacionamento tarifado. “Pergunto para onde vão as verbas? Vão para a freguesia, para a câmara ou para uma empresa? Não se pode criar também uma polícia municipal ou fazer mais estacionamentos? Tenho muitas dúvidas”, afirmou.
Fernando Barrinho, presidente da direcção da ACAPSI – Associação Cultural Avieiros da Póvoa de Santa Iria, também não concorda com o estacionamento pago e considera que um dos principais problemas da Póvoa deve-se aos carros abandonados e ao estacionamento abusivo, com viaturas estacionadas das 7h00 às 19h00 por pessoas que vão apanhar o comboio. “O estacionamento pago é a última solução, depois de esgotadas todas as outras medidas. Até porque, na Póvoa velha, vivem pessoas já com uma certa idade e o que querem é uma ponte pedonal sobre a linha do comboio”, diz.
Recorde-se que a proposta, aprovada em reunião de câmara, cria quatro zonas distintas — vermelha, amarela, verde e azul — com diferentes tempos máximos de permanência e tarifas. Nas áreas de maior pressão automóvel, classificadas como zona vermelha, o estacionamento ficará limitado a duas horas e terá um custo máximo previsto de 3,20 euros. Já as zonas amarela e verde terão permanência máxima de quatro horas, com um custo de quatro euros pelas quatro horas na zona amarela e um máximo de 2,40 euros na zona verde. A zona azul será orientada para estacionamento prolongado e bilhetes diários, com um custo até um euro. O regulamento introduz ainda a possibilidade de atribuição de dísticos de residente e de empresa, com limites por fogo e por estabelecimento, excluindo ambos da zona vermelha.

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