Fotógrafo denuncia vôos rasantes de avionetas sobre colónia de aves no Tejo
Um fotógrafo de natureza alerta para a passagem frequente de avionetas a baixa altitude sobre a Ilha das Garças e a Ilha dos Amores, em Salvaterra de Magos. Luís Ferreira denuncia também a circulação de motas de água no Tejo e visitantes em excesso durante a época de nidificação de centenas de aves protegidas.
As avionetas estão a sobrevoar a baixa altitude a Ilha das Garças e a Ilha dos Amores, no rio Tejo, no concelho de Salvaterra de Magos. A denúncia é do fotógrafo e videógrafo de natureza Luís Ferreira, também colaborador da National Geographic, que alerta para os impactos que estes vôos têm sobre a diversidade de espécies existentes naquela zona. Diz que não faz sentido as avionetas voarem tão baixo, pois não existe nenhum aeródromo próximo. “As avionetas passam a 10, 15, 20 ou 30 metros de altitude, o que é totalmente fora da lei. Os aviões têm que andar a 150 metros de altura, no mínimo. Não faz qualquer tipo de sentido estas passagens, muito menos no período de nidificação das aves, que vai de Março a Setembro”, vinca.
Outro dos problemas, explica Luís Ferreira, é a passagem de motas de água e de pessoas que vão até à ilha nesses veículos durante o período de nidificação, a juntar a alguns operadores turísticos que deixam as pessoas em terra para fazerem fotografias com as aves em vôo. A situação já motivou uma queixa do fotógrafo junto do SEPNA da GNR e do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).
As espécies que se podem encontrar nas ilhas são a garça-branca-pequena, a garça-boieira, o íbis-preto, o colhereiro, que chega a ter ninhos com quatro crias, sinal de boas condições e de abundância de alimento, e o goraz, também conhecido como garça-nocturna. A mais importante de todas as espécies, refere Luís Ferreira, é o papa-ratos (ardeola ralloides), uma espécie com poucos ninhos em Portugal. Há ainda registo de milhafre-preto, águia-pesqueira, tadorna, pato-ferrugíneo, ganso-do-egipto, entre outras.
Município diz não ter recebido denúncias
O fotógrafo defende medidas para mitigar os problemas que tem registado em fotografias e vídeos naquela área. A primeira passa por os municípios darem o real valor, em termos ambientais, àquele lugar. Depois, considera que devia ser criada uma área de exclusão para impedir o acesso de pessoas à Ilha dos Amores, tendo em conta os cerca de 500 ninhos existentes na ilha. Luís Ferreira refere ainda que deveria ser estabelecido um perímetro de segurança para impedir que motas de água e canoas cheguem à ilha durante o período de nidificação.
“É muito comum observarem-se embarcações que supostamente só podiam levar duas pessoas a transportar 10, 12 ou 15 pessoas, com álcool à mistura e outras práticas que não são correctas, tal como seria se conduzissem um automóvel”, lamenta, defendendo a criação de regulamentação nesta matéria.
A falta de painéis informativos sobre as espécies existentes e sobre o que se pode ou não fazer é outro dos problemas apontados pelo fotógrafo, que defende campanhas de sensibilização por parte dos municípios, nomeadamente da Câmara de Salvaterra de Magos. “As pessoas que operam as aeronaves perdiam automaticamente as licenças, caso fosse apresentada queixa. Mas o objectivo não é prejudicar a vida de ninguém, mas sim alertar e impulsionar a criação de regulamentação naquela zona”, explica.
A Câmara de Salvaterra de Magos, contactada por O MIRANTE, afirma que, até ao momento, não recebeu qualquer participação relacionada com esta matéria, mas garante que “continuará a promover, em articulação com as entidades competentes e com a comunidade local, iniciativas que contribuam para a valorização ambiental do território, para a preservação da biodiversidade e para uma utilização responsável dos espaços naturais”.
O MIRANTE questionou a Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC) e o ICNF mas ainda aguarda resposta.


