Sociedade | 09-08-2026 21:00

Abrantes cria rede de primeira intervenção para enfrentar incêndios, apagões e tempestades

Abrantes cria rede de primeira intervenção para enfrentar incêndios, apagões e tempestades
União de Freguesias de Abrantes e Alferrarede investiu oito mil euros em equipamentos para dar resposta a fenómenos extremos - foto O MIRANTE

União de Freguesias de Abrantes e Alferrarede investiu oito mil euros em geradores e equipamentos de primeira intervenção para reforçar a resposta a incêndios, apagões e fenómenos extremos. A medida, criada depois das falhas expostas pelas tempestades e cheias deste ano, é o primeiro passo para uma futura Unidade Local de Protecção Civil.

A União de Freguesias de Abrantes e Alferrarede investiu oito mil euros em geradores e equipamentos de combate inicial a incêndios rurais, numa resposta às fragilidades expostas pelas tempestades, cheias e falhas de energia registadas este ano. O objectivo é criar uma estrutura local capaz de agir nos primeiros minutos de uma emergência, antes da chegada dos meios profissionais. A tempestade Kristin, as cheias e o apagão eléctrico que afectaram o país obrigaram a União de Freguesias de Abrantes e Alferrarede a repensar a forma de proteger a população em situações de emergência. A autarquia adquiriu quatro geradores e dois novos kits de primeira intervenção para combate a incêndios rurais, num investimento global de cerca de oito mil euros.
“Obrigou-nos a repensar a forma de agir perante todas estas adversidades”, afirma o presidente da união de freguesias, João Marques (PS), explicando que a primeira resposta passou pela criação de um banco de telhas, lonas e outros materiais destinados a apoiar moradores atingidos pelo mau tempo. Com a aquisição dos novos equipamentos, a freguesia passa a dispor de cinco kits de primeira intervenção, três dos quais já integrados no Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais. Os dois restantes deverão entrar no dispositivo ainda este ano.
Os equipamentos, com depósitos de 450 litros e motobombas, permitem captar água directamente de rios, ribeiras ou tanques. Foram entregues a associações localizadas em zonas de maior risco florestal e serão utilizados por voluntários com formação dada pelos Bombeiros Voluntários de Abrantes e pelo Serviço Municipal de Protecção Civil. João Marques sublinha que estes meios não substituem os bombeiros nem se destinam a colocar voluntários em situações de risco. Servem para tentar controlar pequenos focos de incêndio enquanto não chegam os meios de socorro. “Os incêndios começam todos pequeninos. Se forem combatidos logo na ignição, muitas vezes conseguem resolver-se antes de ganharem dimensão”, defende o autarca.
Os quatro geradores poderão ser utilizados em situações de falha prolongada de electricidade, nomeadamente para carregar telemóveis e outros equipamentos de comunicação ou para garantir o funcionamento de aparelhos considerados essenciais. O investimento é apresentado como o primeiro passo para a criação de uma Unidade Local de Protecção Civil, que deverá ser equipada gradualmente com novos meios e máquinas. “Vamos continuar a investir ano após ano”, garante João Marques, considerando que as alterações climáticas e a maior frequência de fenómenos extremos obrigam as autarquias a preparar respostas de proximidade.
A União de Freguesias de Abrantes e Alferrarede tem cerca de 65 quilómetros quadrados, mais de 16 mil habitantes e um território com mais de 80% de área florestal. Uma realidade que combina zonas urbanas e rurais e que, segundo o presidente da autarquia, justifica o reforço da capacidade de intervenção local. João Marques acredita que o modelo poderá ser seguido por outras freguesias e revela que vários autarcas já manifestaram interesse na iniciativa. Os kits foram produzidos por uma empresa situada na Barrada, no concelho de Abrantes.

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