Sociedade | 14-08-2026 12:00

Mordedura de serpente leva homem ao Hospital de Abrantes

serpente cobra ilustrativ
foto ilustrativa

Morador da zona da Pucariça mordido por serpente recebeu soro antiofídico mais de sete horas depois de chegar à urgência. ULS do Médio Tejo esclarece que o antiveneno só é administrado perante sinais clínicos que o justifiquem. Em dez anos registaram-se apenas quatro situações semelhantes.

Um homem foi assistido no Hospital de Abrantes depois de ter sido mordido por uma serpente na zona da Pucariça, localidade do concelho de Abrantes. Segundo o relato transmitido a O MIRANTE, o doente terá dado entrada no serviço de urgência pelas 16h00 e recebido tratamento com soro antiofídico cerca das 04h30 do dia seguinte, depois de ter tido alta e ter regressado por indicação do Centro de Informação Antivenenos. Questionada por O MIRANTE, a Unidade Local de Saúde do Médio Tejo esclarece que a administração de antiveneno não é automática após uma mordedura e depende da evolução dos sintomas, dos resultados das avaliações clínicas e, habitualmente, da articulação com o Centro de Informação Antivenenos.
O soro antiofídico, explica a ULS, é reservado para situações de envenenamento moderado ou grave, porque a sua utilização também pode provocar reacções adversas e exige vigilância apertada. “Perante uma evolução desfavorável, é realizada uma nova avaliação e ajustado o tratamento à situação clínica então apresentada”, refere.
A ULS Médio Tejo acrescenta que estes medicamentos, por serem raramente utilizados, estão geralmente concentrados nos hospitais centrais e que quando existe indicação médica, a sua disponibilização é articulada entre as unidades hospitalares. Nos últimos dez anos foram registados quatro casos semelhantes nas unidades de saúde do Médio Tejo, confirmando a raridade destas ocorrências.

Maioria das serpentes em Portugal são inofensivas
O aparecimento de uma serpente continua a causar alarme, mas o perigo é bastante inferior à percepção criada em torno destes animais. Segundo Davina Falcão, do projecto Cobras de Portugal, existem 10 espécies de serpentes em Portugal. As mais comuns são a cobra-rateira, a cobra-de-ferradura e a cobra-de-água-viperina. A bióloga e mestre em Ecologia explica em várias publicações nas redes sociais que, na maioria dos encontros, as pessoas estão perante animais inofensivos que tentam fugir e não atacar.
As duas espécies consideradas potencialmente perigosas em Portugal são a víbora-cornuda e a víbora-de-Seoane, ambas também identificadas no Atlas dos Anfíbios e Répteis do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF). Segundo o projecto Cobras de Portugal, apenas as víboras são consideradas perigosas no contexto de uma mordedura, o que não significa que persigam pessoas ou ataquem sem serem provocadas.

Cobras são fundamentais para o ecossistema

As serpentes desempenham ainda uma função importante nos ecossistemas, tanto como predadoras como enquanto alimento de outros animais. O seu contributo é particularmente relevante no controlo de pequenos mamíferos, incluindo roedores que podem provocar prejuízos na agricultura.

O que fazer se for mordido?
Perante uma mordedura deve manter-se a calma, imobilizar o membro atingido e retirar anéis, pulseiras, relógios ou roupa apertada. A ferida pode ser lavada com água e sabão, mas não deve ser cortada, sugada, apertada com um torniquete ou sujeita à aplicação de gelo ou calor. Deve contactar o Centro de Informação Antivenenos, através do 800 250 250, ou a Linha SNS 24. Perante dificuldade respiratória, desmaio, inchaço rápido ou outros sinais de gravidade deve ligar-se imediatamente para o 112.

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