Mordedura de serpente leva homem ao Hospital de Abrantes
Morador da zona da Pucariça mordido por serpente recebeu soro antiofídico mais de sete horas depois de chegar à urgência. ULS do Médio Tejo esclarece que o antiveneno só é administrado perante sinais clínicos que o justifiquem. Em dez anos registaram-se apenas quatro situações semelhantes.
Um homem foi assistido no Hospital de Abrantes depois de ter sido mordido por uma serpente na zona da Pucariça, localidade do concelho de Abrantes. Segundo o relato transmitido a O MIRANTE, o doente terá dado entrada no serviço de urgência pelas 16h00 e recebido tratamento com soro antiofídico cerca das 04h30 do dia seguinte, depois de ter tido alta e ter regressado por indicação do Centro de Informação Antivenenos. Questionada por O MIRANTE, a Unidade Local de Saúde do Médio Tejo esclarece que a administração de antiveneno não é automática após uma mordedura e depende da evolução dos sintomas, dos resultados das avaliações clínicas e, habitualmente, da articulação com o Centro de Informação Antivenenos.
O soro antiofídico, explica a ULS, é reservado para situações de envenenamento moderado ou grave, porque a sua utilização também pode provocar reacções adversas e exige vigilância apertada. “Perante uma evolução desfavorável, é realizada uma nova avaliação e ajustado o tratamento à situação clínica então apresentada”, refere.
A ULS Médio Tejo acrescenta que estes medicamentos, por serem raramente utilizados, estão geralmente concentrados nos hospitais centrais e que quando existe indicação médica, a sua disponibilização é articulada entre as unidades hospitalares. Nos últimos dez anos foram registados quatro casos semelhantes nas unidades de saúde do Médio Tejo, confirmando a raridade destas ocorrências.
Maioria das serpentes em Portugal são inofensivas
O aparecimento de uma serpente continua a causar alarme, mas o perigo é bastante inferior à percepção criada em torno destes animais. Segundo Davina Falcão, do projecto Cobras de Portugal, existem 10 espécies de serpentes em Portugal. As mais comuns são a cobra-rateira, a cobra-de-ferradura e a cobra-de-água-viperina. A bióloga e mestre em Ecologia explica em várias publicações nas redes sociais que, na maioria dos encontros, as pessoas estão perante animais inofensivos que tentam fugir e não atacar.
As duas espécies consideradas potencialmente perigosas em Portugal são a víbora-cornuda e a víbora-de-Seoane, ambas também identificadas no Atlas dos Anfíbios e Répteis do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF). Segundo o projecto Cobras de Portugal, apenas as víboras são consideradas perigosas no contexto de uma mordedura, o que não significa que persigam pessoas ou ataquem sem serem provocadas.
Cobras são fundamentais para o ecossistema
As serpentes desempenham ainda uma função importante nos ecossistemas, tanto como predadoras como enquanto alimento de outros animais. O seu contributo é particularmente relevante no controlo de pequenos mamíferos, incluindo roedores que podem provocar prejuízos na agricultura.
O que fazer se for mordido?
Perante uma mordedura deve manter-se a calma, imobilizar o membro atingido e retirar anéis, pulseiras, relógios ou roupa apertada. A ferida pode ser lavada com água e sabão, mas não deve ser cortada, sugada, apertada com um torniquete ou sujeita à aplicação de gelo ou calor. Deve contactar o Centro de Informação Antivenenos, através do 800 250 250, ou a Linha SNS 24. Perante dificuldade respiratória, desmaio, inchaço rápido ou outros sinais de gravidade deve ligar-se imediatamente para o 112.


