Sociedade | 14-08-2026 18:00

População de Alcoentre assustada com data center; autarcas exigem esclarecimentos

datacenter data center centro de dados computador servidores servidor ilustrativ
foto ilustrativa

Presidente da junta quer que câmara promova sessão pública com empresa promotora para esclarecer uma população “assustada” e sem informação. Vice-presidente do município concorda, mas entende que encontro só deve realizar-se quando existirem estudos capazes de dar respostas concretas.

A Junta de Alcoentre e a Câmara de Azambuja estão em sintonia quanto às reservas levantadas à possível instalação de um centro de dados de grandes dimensões naquela freguesia, a poucos metros de habitações. Autarcas dizem não estar contra o investimento, mas recusam dar um cheque em branco enquanto continuarem por esclarecer os impactos sobre a população, a água, o ruído, a paisagem e o território. O presidente da junta, André Silva, levou o assunto à reunião ordinária da Câmara de Azambuja de terça-feira, 4 de Agosto, pedindo ao município que promova uma sessão pública de esclarecimentos com a presença da Neoen, empresa promotora do data center, Azambuja DC. E que caso o município não avance, a junta irá fazê-lo, disse. “Venho em nome de uma população que está assustada, preocupada e que tem falta de informação”, afirmou o autarca eleito pelo movimento independente RIFA. André Silva considera que um centro de dados desta dimensão “não é uma simples infraestrutura” e que os equipamentos, consumos e impactos associados exigem respeito e preocupação. O presidente da Junta recordou que a freguesia já convive com as instalações da CLC, parques fotovoltaicos, linhas de alta e muito alta tensão e que terá ainda nas proximidades a futura linha ferroviária de alta velocidade.
André Silva explicou que a junta foi contactada em Maio, numa fase que considerou, na altura, como “embrionária”, tendo colocado questões sobre os recursos hídricos, o abastecimento eléctrico, o ruído e a proximidade às habitações. E as respostas, disse, foram genéricas e insuficientes. Recentemente, a Junta de Alcoentre divulgou um comunicado no qual o executivo afirma que ainda não existem condições para assumir uma posição favorável ou desfavorável sobre a concretização do empreendimento. A autarquia exige aidna informação “completa, transparente e devidamente fundamentada” antes de qualquer decisão.

Câmara quer estudos
antes da sessão
O vice-presidente da Câmara de Azambuja, António José Matos, que dirigiu a reunião pública do executivo municipal, defendeu que a sessão de esclarecimentos deve aguardar pela apresentação da Avaliação de Impacte Ambiental, do estudo acústico, do estudo paisagístico e de elementos concretos sobre a água, o trânsito, os benefícios económicos e as contrapartidas territoriais. Sem esses documentos, argumentou, correr-se-ia o risco de as dúvidas da população não serem respondidas com o grau de certeza que se pretende. O autarca reconheceu que a câmara dispõe de informação limitada, com documentos que se limitam a descrever o empreendimento de forma geral, mas não permitem conhecer com rigor as medidas de protecção das populações nem as vantagens que ficarão em Alcoentre e no concelho, afirmou, destacando que há pessoas a viver a poucas centenas de metros da área indicada para a implantação. Também não está esclarecido, acrescentou, onde ficará sediada a empresa responsável pela exploração, onde serão pagos os impostos ou qual será a dimensão real do emprego permanente.

Parecer desfavorável para acelerar processo
A Câmara de Azambuja, recorde-se, aprovou um parecer desfavorável ao reconhecimento do Azambuja DC como Projecto de Potencial Interesse Nacional (PIN). A decisão teve os votos favoráveis de dois eleitos do PS, do vereador da CDU e da vereadora do Chega, com a abstenção de um socialista. Os dois vereadores do PSD recusaram participar na votação. A empresa promotora, Neoen, afirmou à Lusa respeitar a posição e salientou que o empreendimento se encontra numa fase preliminar. A empresa garantiu que estão em curso estudos sobre o ruído, água, trânsito, paisagem e biodiversidade e declarou-se disponível para prestar esclarecimentos à autarquia e à população.

Impactos estão associados aos data centers

Os principais impactos de um centro de dados prendem-se com o ruído de ventiladores, transformadores e geradores pode afectar o descanso e a saúde. A Organização Mundial da Saúde associa a exposição excessiva ao ruído a perturbações do sono, hipertensão e maior risco cardiovascular. A elevada quantidade de água necessária para alimentar os sistemas de refrigeração também levanta geralmente reservas, tal como o seu funcionamento permanente, que exige muita electricidade e pode obrigar ao reforço da rede, com novas linhas ou subestações.

Mais Notícias

    A carregar...
    Logo: Mirante TV
    mais vídeos
    mais fotogalerias