Munícipe com 73% de incapacidade teme perder casa e Câmara de Alcanena não tem resposta imediata
Maria Leonor Pinto dos Santos terá de deixar a habitação onde vive até ao início de 2027, depois de o senhorio ter manifestado a intenção de não renovar o contrato. Com 65 anos, 73% de incapacidade e vários problemas de saúde, diz não conseguir pagar as rendas do mercado. Câmara de Alcanena acompanha o caso, mas admite não ter, para já, uma casa municipal disponível.
“Eu para a rua não posso ir”. É desta forma que Maria Leonor Pinto dos Santos, residente em Alcanena, resume a angústia de poder ficar sem a casa onde vive. Prestes a completar 65 anos, com um grau de incapacidade de 73% e vários problemas de saúde, a munícipe diz não ter condições financeiras para suportar os valores actualmente pedidos no mercado de arrendamento. No início deste ano, o senhorio informou-a, por telefone, de que não pretende renovar o contrato porque a habitação será destinada à filha. Maria Leonor esclarece que ainda não recebeu qualquer comunicação formal escrita, mas sabe que poderá ter de sair até ao início de 2027. “Já fui ver casas, mas pedem entre 500 e 800 euros. Com o dinheiro que ganho e as despesas que tenho, não dá”, afirma a O MIRANTE. O filho tem ajudado na procura, mas não a pode acolher, uma vez que vive num T2 com a mulher e dois filhos.
Assistente operacional no Agrupamento de Escolas de Alcanena, Maria Leonor encontra-se de baixa médica. Sofre de insuficiência renal, epilepsia, asma, diabetes e depressão, entre outros problemas, e suporta mensalmente despesas com medicação. Já pediu ajuda à Segurança Social e aos serviços de Acção Social da câmara, mas continua sem uma solução concreta. A vereadora da Acção Social, Clara Batista, garante que o caso está a ser acompanhado pelos serviços municipais e pelo Serviço de Atendimento e Acompanhamento Social. A munícipe encontra-se “pré-sinalizada” para acesso a habitação municipal, mas, segundo a autarca, “à presente data, não existe resposta habitacional municipal imediata disponível”. Clara Batista acrescenta que Maria Leonor ainda não formalizou a candidatura ao concurso de habitação social actualmente aberto e que já lhe foram apresentadas algumas soluções temporárias.
A munícipe garante estar a tratar dessa candidatura, mas a incerteza mantém-se. “Espero que consigam encontrar-me alguma solução, mas continuo sem saber para onde vou”, desabafa a O MIRANTE, emocionada.


