Sociedade | 15-08-2026 21:00

Tribunal de Vila Franca de Xira com a segunda maior carência de funcionários da comarca

Tribunal de Vila Franca de Xira aguarda por promessas de obra há quase duas décadas

Relatório anual da comarca alerta também para problemas com a falta de segurança, quer no tribunal do trabalho quer no edifício principal, que tem apenas um segurança que quando precisa de se deslocar dentro do edifício deixa a entrada totalmente sem vigilância.

O Tribunal de Vila Franca de Xira continua a enfrentar sérios constrangimentos ao funcionamento, marcados pela escassez de recursos humanos, insuficiência de segurança e degradação das instalações, segundo o Relatório Anual do Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa Norte. O documento identifica a falta de funcionários como um dos principais problemas do núcleo de Vila Franca de Xira. Dos 98 postos de trabalho previstos, apenas 69 estavam preenchidos no final de 2025, mantendo-se 29 vagas por ocupar, o que corresponde a uma taxa de carência de 29,6%. É a segunda situação mais grave da comarca, apenas ultrapassada por Loures.
A Presidência da Comarca, liderada pela juiz Sara Pina Cabral, alerta que esta falta de efectivos afecta diretamente a capacidade de resposta dos serviços, sendo particularmente preocupante a escassez de Escrivães Auxiliares, categoria considerada essencial para assegurar a tramitação dos processos. Também a segurança dos edifícios judiciais em Vila Franca de Xira merece críticas no relatório. O Palácio da Justiça de Vila Franca de Xira dispõe apenas de um vigilante, cujo serviço termina às 18h00. E sempre que este necessita de circular pelo edifício, a entrada principal permanece sem vigilância. A situação é ainda mais preocupante no Tribunal do Trabalho, no Juízo Local Cível e no Juízo do Comércio (instalado em Loures mas pertencente a VFX), que não dispõem de qualquer serviço permanente de segurança.
Tal como O MIRANTE já tinha dado nota, o Palácio da Justiça de VFX levanta grandes preocupações na liderança da comarca, especialmente as condições físicas do edifício, classificadas como inadequadas para magistrados, funcionários e cidadãos.
O edifício principal, inaugurado em 1964, é descrito como desajustado às necessidades actuais da Justiça. Além disso, duas salas de audiência e parte dos serviços continuam a funcionar em contentores instalados provisoriamente há mais de uma década, mas que acabaram por se tornar permanentes. A sala principal de audiências não tem ar condicionado e todo o espaço sofre de infiltrações, humidades, bolor, degradação das coberturas e até o abatimento do pavimento de um dos módulos, situação que evidencia o avançado estado de deterioração das instalações. Também o Tribunal do Trabalho continua instalado num edifício considerado inadequado.
A construção do novo Palácio da Justiça continua a ser apontada como prioridade absoluta, com o projecto a prever um edifício com cerca de 7.500 metros quadrados destinado a concentrar vários serviços judiciais, incluindo os Juízos do Trabalho, Comércio e Criminal. Contudo, o primeiro concurso público ficou deserto e um novo procedimento apenas deverá arrancar em 2026. E de acordo com o cronograma apresentado, como o nosso jornal já dera nota, a conclusão da obra apenas é expectável em 2031.

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