Sociedade | 17-08-2026 21:00

Fátima Gonçalves encontrou no yoga um refúgio contra a pressa do mundo

Fátima Gonçalves encontrou no yoga um refúgio contra a pressa do mundo
Fátima Gonçalves acredita que o ioga é uma das ferramentas mais completas do autoconhecimento - foto O MIRANTE

Num tempo dominado pela pressa, pelos ecrãs e pela dificuldade em desligar, Fátima Gonçalves encontrou no yoga um refúgio e uma missão. A instrutora escalabitana acredita que o silêncio é a parte mais importante de uma aula e que aprender a parar, escutar o corpo e estar verdadeiramente presente pode transformar as pessoas.

Natural de Santarém, Fátima Gonçalves divide os dias entre a consultoria em higiene e segurança alimentar e o ensino do yoga. Durante muitos anos esteve ligada à aeróbica, mas sentiu que precisava de algo diferente. O yoga transformou-se num pilar essencial, sobretudo nos momentos mais difíceis da sua vida. É professora há sete anos e acredita que, numa aula, o mais importante não é a postura mais exigente, mas o silêncio. “É lá que tu te encontras e te descobres”, afirma. Para Fátima Gonçalves, o yoga é uma das ferramentas mais completas de autoconhecimento, porque trabalha o corpo, a mente e o espírito. A formação na Federação Portuguesa de Yoga permitiu-lhe aprender não apenas as posturas, mas também a filosofia que sustenta a prática e a responsabilidade de a transmitir.
A instrutora diz que o yoga a transformou e que, através dele, descobriu o seu “Seva Dharma”: ajudar outras pessoas a aumentar a consciência sobre si próprias e sobre o modo como vivem. Essa missão ganha importância numa sociedade marcada pela pressa, pelo excesso de estímulos e pela dificuldade em parar, vinca. Fátima Gonçalves observa que muitas pessoas chegam ao yoga à procura de paz, descanso ou de uma forma de regressarem à sua essência. O maior obstáculo está na incapacidade de desligar. “As pessoas desaprenderam de descansar”, alerta. Ficar sentado ou deitado com um telemóvel na mão tornou-se sinónimo de pausa, mas o cérebro continua exposto a imagens, informação e solicitações permanentes. Aprender a escutar o corpo e a reconhecer os próprios limites é uma das maiores dificuldades, mas também uma das conquistas mais importantes.
Para a instrutora escalabitana, os efeitos da prática não ficam confinados ao tapete. Depois de uma aula, o aluno sai mais tranquilo e essa paz interior influencia a relação com os outros. “É tão mais fácil sorrir para alguém, pedir licença ou dar licença”, explica. A gentileza e a empatia deixam de ser um esforço e tornam-se uma resposta natural, sublinha. Se tivesse de escolher uma única postura para levar às escolas ou aos lares de idosos, optaria pela postura do guerreiro. Não um guerreiro de confronto, mas um “guerreiro de presença”. A posição promove a abertura do peito e ajuda a contrariar a postura fechada provocada por horas ao telemóvel ou ao computador. Mais do que força, simboliza atenção, equilíbrio e disponibilidade para estar presente, termina.

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