Apoio municipal aos Bombeiros de Almeirim dispara para meio milhão
A corporação de base voluntária fechou 2025 com um saldo positivo. Subida do apoio autárquico em 268% entre 2014 e 2025, período em que Pedro Ribeiro acumulou a presidência dos bombeiros com a da câmara, explica-se com maior capacidade de socorro
Os Bombeiros de Almeirim fecharam o ano de 2025 com um saldo positivo de 58 mil euros, num exercício marcado por um aumento dos subsídios municipais, que praticamente triplicaram na última década. Em 2014, a autarquia atribuía 110 mil euros para gestão corrente e 50 mil euros para gasóleo. Em 2021, o apoio já rondava os 390 mil euros. Em 2024, atingiu 580.964 euros, e em 2025 subiu para 590.054 euros. Ou seja, os apoios municipais quase triplicaram desde 2014, representando um aumento de cerca de 180% ao longo da década. Esta trajectória coincide com os anos em que Pedro Ribeiro liderou simultaneamente a corporação e o município. Mas o ex-autarca explica que a corporação tem mais funcionários e tem mais custos com o socorro.
Pedro Ribeiro, que continua a presidir à corporação, explica a O MIRANTE que o reforço das verbas se deve sobretudo à opção tomada após a Covid‑19: a corporação decidiu dar prioridade ao socorro, reduzindo o transporte de doentes não urgentes, o que aumentou os custos operacionais e obrigou a autarquia a reforçar o financiamento. O dirigente sublinha que o que o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) paga não cobre os custos, lembrando que são os bombeiros que suportam consumíveis, manutenção e até a compra das ambulâncias.
O presidente dos bombeiros fala ainda no aumento do preço dos combustíveis e destaca que a associação humanitária passou de 28 funcionários em 2021 para 39 em 2025. O corpo de bombeiros tem geralmente três ambulâncias de socorro disponíveois e faz mais de duas centenas de emergências por mês, tendo ultrapassado as 300 em Julho. Com rendimentos totais de 1,62 milhões de euros e despesas de 1,53 milhões, os bombeiros apresentaram contas equilibradas, sustentadas sobretudo pelos 1,2 milhões de euros provenientes de subsídios, doações e legados. A Autoridade Nacional de Protecção Civil contribuiu com 353 mil euros e o INEM com 258 mil euros relativos às taxas de saídas.
Do lado das receitas próprias, os bombeiros arrecadaram 352.229 euros, com o transporte de doentes a gerar 258.880 euros, seguido das quotizações dos associados (41.981 euros) e da actividade de restauração (29.870 euros). As despesas continuam fortemente marcadas pelos custos com pessoal, que atingiram 1,09 milhões de euros, incluindo 884 mil euros em remunerações e 151 mil euros em encargos sociais. Os fornecimentos e serviços externos somaram 395 mil euros, com destaque para combustíveis, manutenção de viaturas e materiais de primeiros socorros.
A associação investiu ainda 105 mil euros em activos fixos, incluindo duas viaturas novas e um aparelho de ar condicionado. No final de 2025, a tesouraria apresentava 142 mil euros, acima dos 108 mil euros registados no início do ano, confirmando a estabilidade financeira da corporação num ano em que o reforço dos apoios municipais foi determinante para o resultado positivo.


