Sociedade | 21-08-2026 18:00

Partos em ambulâncias na região têm corrido bem mas bombeiros avisam que um dia a sorte acaba

Partos em ambulâncias na região têm corrido bem mas bombeiros avisam que um dia a sorte acaba
Bombeiros estão a fazer cada vez mais partos na berma das estradas a caminho de resposta hospitalar - FOTO DR

Região tem registado vários nascimentos na berma das estradas dentro de ambulâncias e um dentro de um quartel, sobretudo desde que o Hospital Vila Franca de Xira passou a ter as urgências de ginecologia fechadas e as grávidas encaminhadas para Loures. Bombeiros avisam que a situação vai acabar em tragédia mais cedo ou mais tarde.

O que até agora era uma excepção, o nascimento de bebés em ambulâncias, passou a ser a rotina quase mensal dos bombeiros da região, em particular dos concelhos servidos pelo Hospital Vila Franca de Xira, que viu as suas urgências obstétricas serem encerradas e as grávidas encaminhadas para Loures. Uma situação que, avisam os bombeiros, mais tarde ou mais cedo vai acabar mal para a grávida e a criança. Alia foi o nascimento mais recente, ocorrido na última semana numa ambulância dos bombeiros de Benavente e o primeiro parto dos bombeiros João Oliveira e Carla Silva. A grávida ia a caminho das urgências obstétricas de Loures, na A9, perto de Arruda dos Vinhos, mas o agravar das contracções obrigou os bombeiros a parar na berma da auto-estrada para fazer o parto. “As nossas alternativas em Benavente são ir para Santarém, que fica a 48 km ou Loures, que fica a 54 km. Qualquer uma delas não é viável e implica uma deslocação de 45 minutos que pode transformar por completo o desfecho de um parto”, explica a O MIRANTE o comandante dos bombeiros de Benavente, José Nepomuceno. Desde Março que o Hospital Vila Franca de Xira perdeu as urgências de obstetrícia para Loures, situação que obrigou as corporações a dar formação aos bombeiros para poderem fazer partos se necessário. “Todo o nosso corpo de bombeiros teve formação de partos mas uma coisa é praticar num boneco, outra coisa é estar numa ambulância apertada e a fazer um parto real. As coisas têm corrido bem mas a minha questão é, quando correr mal, quem é que vai arcar com as culpas”, avisa o responsável, lembrando que é uma questão de tempo até que um parto numa ambulância corra mal.
Também o comandante dos bombeiros de Vila Franca de Xira, Pedro Carolino, já tinha manifestado preocupação com a situação, sobretudo depois de em Março uma grávida ter dado à luz no seu quartel por ter encontrado as urgências fechadas no Hospital VFX e não ter tido tempo de chegar a Loures. “Com o fecho das urgências, é um facto que o tempo de deslocação para Loures não é a mesma coisa que para Vila Franca de Xira. Vamos assistir a uma diferente minimização da capacidade de resposta. Passamos a ter de fazer um transporte de 15 minutos ou mais para Loures em vez de cinco minutos para o nosso hospital”, constatava o responsável ao nosso jornal na altura. E Pedro Pereira, comandante dos bombeiros de Arruda dos Vinhos, já tinha criticado o crescendo de partos em ambulâncias, dizendo contribuírem para o descrédito do Serviço Nacional de Saúde. Apesar do responsável lembrar que os partos em ambulâncias sempre aconteceram, a realidade é que o aumento de nascimentos é inaceitável. “É impossível continuarmos com o SNS desta forma. A quantidade de serviços que transferimos para Santarém ou Lisboa empata os nossos veículos e os nossos homens. Um serviço de 45 minutos passa a demorar mais de duas horas, causando grandes transtornos, para nós e as utentes”, lamenta a O MIRANTE.
O MIRANTE tem dado nota de vários partos em ambulâncias nos últimos meses na região. Além dos casos de VFX e Benavente, há também registo de uma mulher que entrou em trabalho de parto junto ao pavilhão municipal do Entroncamento em Maio, um nascimento numa ambulância dos bombeiros de Coruche a caminho do hospital em Março e em Setembro do ano passado uma grávida deu à luz prematuramente dentro de uma ambulância em Alpiarça devido ao encerramento das urgências obstétricas do Hospital de Santarém.

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